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28 de fevereiro de 2011

Deus odeia o pecado, mas ama ao pecador! É isso mesmo?


Podemos aceitar que existe um sentido genérico do amor de Deus. Ele demonstra e fala de amor ao mundo, à humanidade, à sua criação. Como calvinista, não tenho nenhuma dificuldade em aceitar isso. Temos que entender, porém, que no sentido salvífico (a salvação eterna da perdição e condenação do pecado) o amor de Deus é derramado exclusivamente sobre o seu povo e, individualmente, sobre os que ele eficazmente chama para si. Sobre aqueles que responderão, ao chamado eficaz, abraçando a Cristo como único e suficiente Salvador.

A frase "Deus odeia o pecado, mas ama ao pecador", entretanto, por mais que seja proferida e repetida, é uma forma simplista de expressar uma situação complexa, pois realmente é impossível separar o pecado do pecador, como se o pecado fosse uma entidade com vida independente, que apenas se utiliza do corpo e da mente do praticante.

Tiago (1.12-15) nos ensina que o pecado é gerado dentro das pessoas, partindo da própria concupiscência, externando sua prática em um relacionamento "simbiótico" (de dependência mútua) com o praticante. Sem barreiras e controles, enfim, sem a redenção, leva à morte.

O pecado é algo odioso em suas manifestações. Estas são verificáveis nas pessoas, pecadoras, sem as quais ele é indescritível e amorfo.

Em Romanos 9.11-18 a Bíblia fala do "aborrecimento" (ódio) de Deus contra Esaú, contrastando com o amor derramado sobre Jacó. Mas a Palavra de Deus expressa em outras ocasiões (além desse caso específico, de Esaú e Jacó) o ódio ("aborrecimento") de Deus a pecadores. Isso ocorre, porque ele é tanto JUSTIÇA como AMOR.

Por exemplo, no Salmo 11.5, lemos "O Senhor prova o justo e o ímpio; a sua alma odeia ao que ama a violência". Veja que ele não odeia somente a violência (inexistente, sem o praticante), mas "ao que ama a violência" - uma pessoa, o pecador.

Em Pv. 6.16-18 lemos sobre sete coisas que o senhor abomina (odeia): olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contenda entre irmãos. Quando lemos essa descrição das "coisas" que o Senhor odeia, vemos que elas não são especificamente "coisas", mas são pessoas que realizam certas ações; a descrição é a de pessoas que Deus abomina. Isso fica bem claro nas duas últimas "coisas" - uma pessoa, ou outra, que é: "testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos".

Não resta dúvida, portanto, que pelo menos nessas instâncias específicas Deus odeia pecadores. Consequentemente, isso deve nos fazer cautelosos de dar uma declaração genérica e abrangente de que ele não odeia pecadores, pois esse ensinamento não pode ser atribuído, dessa maneira, à Bíblia e carece de inúmeras qualificações.

Por Solano Portela
Publicado originalmente em O Tempora! O Mores!



Comentário de Avelar Jr.: Eu estive pensando sobre isso dia desses na Escola Dominical e levei alguns textos bíblicos para que minha classe considerasse.: "Deus ama realmente o pecador?"

O que podemos pensar diante de versículos como os que transcrevi abaixo? "Deus amou o mundo de tal maneira" (João 3.16), mas...

"Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;" - Colossenses 3.6

"Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência." - Efésios 5.6

"Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece." - João 3.36

"Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." - Efésios 2.3

"E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição" - Romanos 9.22

"Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes." - Tiago 4.6 (veja também 1 Pedro 5.5)

"Porque o SENHOR, o Deus de Israel diz que odeia o repúdio, e aquele que encobre a violência com a sua roupa, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto guardai-vos em vosso espírito, e não sejais desleais." - Malaquias 2.16

"O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um como o outro são abomináveis ao SENHOR." - Provérbios 17.15

"Porque o perverso é abominável ao SENHOR, mas com os sinceros ele tem intimidade." - Provérbios 3.32

17 de outubro de 2010

Como alguns evangélicos enxergam a Bíblia...

Estava vendo mais uma daquelas infindáveis discussões sobre programas de TV em que alguém demoniza qualquer programa que não seja "gospel", achando-se, por isso, mais santo que os outros, que estariam sob "influência satânica" por gostarem de ver uma comédia decente (você já deve ter visto debates assim com o assunto música). Todavia, a Bíblia é clara quanto à necessidade de saber discernir cada coisa e escolher bem.

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma." 1 Coríntios 10.23

Tem uma passagem na Bíblia que diz:

"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco." Filipenses 4:8,9

Alguns evangélicos (outros religiosos também, mas não neguemos nossa "pole position" nisso!), entretanto, no afã por viver uma santidade artificialmente projetada, limitada aos ensinos de seu gueto ou mesmo às suas próprias opiniões, alheios a qualquer forma de arte, pensamento ou obra por melhor que seja, talvez enxerguem a mesma passagem como proibitiva de toda e qualquer influência externa, mais ou menos assim:

"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é GOSPEL, tudo o que é GOSPEL, tudo o que é GOSPEL, tudo o que é GOSPEL, tudo o que é GOSPEL, tudo o que é GOSPEL, se há alguma GOSPELEZA, e se há algo de GOSPEL, nisso pensai." Ungidenses 4:8

Parece que fora da vida na bolha gospel não há salvação.

Eu me pergunto se esse povo estuda matérias não religiosas, conversa com outras pessoas sobre assuntos normais da vida, lê livros não espirituais, revistas, partituras, rótulos de produtos, bulas de remédios, blogs e jornais, consulta calendários e dicionários, entra em lugares que não sejam templos, toma refrigerante, confecciona listas de compra, canta "Parabéns a Você" em festas de aniversário e joga UNO... (Mas eu não me pergunto se entra no Orkut porque eu já vejo: o Orkut é de Deus, principalmente se for para espalhar boatos contra candidatos a cargos políticos.)

Esse pensamento exclusivista de que tudo que não é "gospel" é mau representa um injusto e leviano julgamento do que é alheio, considerando-o automaticamente nocivo e sem proveito, e isentando-nos da necessidade de sermos criteriosos e maduros, sabendo avaliar todas as coisas e reter o que é bom ao mesmo tempo que influenciamos para que as coisas glorifiquem a Deus e tornem o mundo melhor do que o encontramos.

É como se simplesmente ter prazer em coisas "não-gospel" fosse demoníaco, pecaminoso, não edificante e rendesse milhas aéreas para uma passagem compulsória de primeira classe para o inferno. E como se alguma coisa tivesse que ser chata ou pelo menos não divertida - e ainda por cima "gospel" - para ser automaticamente boa e edificante...
(veja Romanos 14.1-17)


[atualizado dia 17 de outubro de 2010]

27 de junho de 2010

Cavaleiros do Zodíaco

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." - João 1.14

Dia desses abri o Yahoo!, e, como matéria de capa, havia algo sobre mapa astral, coisa tipo sol com Era de Peixes etc. Logo, logo, eu poderia dizer "nada mais 'gospel'!"... Exagero meu? Nem tanto. Pelo menos se levarmos em conta o que se fala em algumas igrejas hoje.

É verdade que quando as pessoas deixam de olhar para Cristo e servi-lo, começam a seguir modas como astrologia, numerologia, dentre outras marmotas "para garantir o sucesso". O negócio é ainda mais tosco quando tem uma maquiagem gospel, porque contagia, causa frisson nos empolgadinhos com novidades.

Depois "os crentes" se acham no direito de condenar os adeptos de outras religiões/filosofias por fazerem a mesma coisa, ou seja, confiar nas leis astrais e não na palavra de Deus.

Ouvi há muito tempo de uma amiga: "Irmão, este vai ser um ano de bênção porque é dois mil e sete! Sete é perfeição! Tome posse!". E eu pergunto: Qual é a diferença disso para a fé dos pagãos que vivem de superstições, nunca ouviram falar do Salvador, e vivem à mercê de ano do macaco, do galo...? Parece que hoje, mais do que nunca, temos um campo missionário bem próximo: a Igreja! 


A propósito, alguém na sua igreja já ouviu falar de um tal Jesus que é a Verdade que liberta? Se não, entre em contato com o evangelho urgentemente!

Interessante foi a numerologia-cabalística-gospel empregada por uma banda evangélica num programa de TV. A vocalista disse no ar que abriu a Bíblia no livro de Esdras (ou terá sido Neemias? Sei lá!), depois de uma oração, e entendeu que Deus estava dizendo para ela o dia para a gravação do CD: 7 de julho de 2007 (07/07/2007), por causa de um número de dias lá descrito em que reconstruíram a muralha de Jerusalém -- com certeza Deus escreveu a passagem só pensando no CD deles e em quantas cópias eles iriam vender com essa historinha, só não tinha avisado para as coitadas das outras bandas evangélicas... 

De exagero em exagero, de moda em moda, de gafe em gafe, de cegueira em cegueira, o mundo gospel completa seus rápidos ciclos em torno de si mesmo e dos que o alimentam ideologicamente; e, nos dizeres de Salomão, "nada de novo existe debaixo do sol."

"...E o misticismo se fez 'gospel' e habitou entre nós. E vimos a sua parvalhice, como se fosse o último oráculo de Delfos, cheio de bobagem e futilidade."


"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." - João 8.32


"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas." - 2 Timóteo 4.1-4

11 de dezembro de 2009

$uper $anta Ceia Feliz


Cada dia que passa eu fico mais aterrorizado com as tendências da “gospelização” do evangelho. Tá, eu sei que “gospel” é evangelho em inglês e poderia ser redundante, mas não é em português. Estou usando esse termo para explorar a acepção comercial que ele ganhou ao substituir a palavra “sacra” no mercado fonográfico (música “sacra”; música gospel. Convenhamos: o “gospel” não é muito “sacro” hoje em dia); e também porque este termo ganhou uma penetração e popularização vertiginosa devido ao crescimento da população evangélica e do mercado voltado a esse segmento. “Gospel” sempre aparece nas embalagens de cacarecos evangélicos para vender. “Gospel” é “fashion”, vende, é “cool”, é “forward-looking” (termos em inglês, por alguma razão, sempre apelam mais para a simpatia dos consumidores, como os R$, 0,99 centavos no final dos preços). “Gospel” é diferente de "evangelho", que é cafona, quadrado, “coisa de crente” - por isso uso aquele termo no sentido pejorativo de “fé-comércio”.


O movimento “gospel” é repleto de novidades para não ficar obsoleto, e sempre apela com aquele quê de “você precisa disso”, usando Jesus como seu garoto-propaganda (Não o Jesus Luz, da Madonna), mas sem nenhum respeito ou reverência que lhe são devidos, a fim de conquistar os corações mais fervorosos e lucrar.


Sempre achei que desde que a discussão sobre a fermentação ou não do pão da Santa Ceia (que foi uma das razões para o Grande Cisma – a separação da Igreja em Católica e Ortodoxa, séculos atrás), esta ordenança teria ficado imune a grandes inovações teológicas e controvérsias. Entretanto, fiquei sabendo hoje que já existem pessoas pregando que a Ceia do Senhor seja abolida, e, lógico, baseando isto na própria Bíblia que nos manda celebrá-la!


Isso me lembrou de que, há algum tempo, ouvi falar de um pastor que acrescentou outros elementos simbólicos à Santa Ceia (que “antigamente” era celebrada com pão e vinho). “Felizmente”, alguns deles não chegaram a ser Fandangos sabor presunto ou Mentos e Coca-Cola. Mas, com que direito se modifica uma celebração que o próprio Jesus instituiu, em que o pão simboliza seu corpo e o vinho seu sangue, e que deveria lembrar-nos de sua morte voluntária para pagar a pena de nossos pecados, ao mesmo tempo que testemunhamos a fé na sua volta até que ela ocorra?


Ainda bem que não tem uma rede de "fast-food" gospel (Pelo menos eu não conheço nenhuma, mas, se houver, não me avisem!). Se não, com certeza, já teríamos notícias de uma “Santa Ceia Drive-Thru” ou de um telefone de encomendas para entrega em domicílio de um “Kit Melq(uesedeque) Super Santa Ceia Feliz”!


Mas é claro, lógico e evidente que um “Kit Melq Super Santa Ceia Feliz” somente teria valor memorial, e “unção”, se fosse ingerido com a família diante de um culto veiculado por uma TV a cabo “gospel”.


Com tantas ideias mirabolantes do meio evangélico, vindas de vários lugares, cada uma mais bizarra que a outra, e na velocidade da luz, a única coisa que me surpreende é que, até agora, não inventaram um concurso de “doutrinas” e “moveres” com premiação, reconhecendo o talento e a criatividade de indivíduos cujo engenho em aproximar a fé e o comércio, seguindo os moveres capitalistas dos “ungidos” desses Brasilzão (e dos States), os quais mexem uns milionésimos de porcento no nosso PIB e deixam, pelo menos, os seus consumidores e o Fisco muito contentes (isso quando não ocorre junto coisas como lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e evasão de divisas...).


Mas eu vou parando por aqui, que eu não quero dar mais ideias (e preciso registrar com a máxima urgência a patente destas antes que alguém o faça).

[Sugiro que leiam esse texto no Bereianos!]

30 de outubro de 2009

"Unção do Chulé"


Esse vídeo foi objeto de discussão numa comunidade do Orkut há algum tempo, a "Não Aguento Mais mantra Gospel".

Após assisti-lo, alguns irmãos comentaram:

"Essa atitude foi de inteira zombaria às pessoas presentes ... muitos q estão ali merecem isso (...)"

"Se eles [DT] quisessem realmente demonstrar algo honesto, a APV lavaria os pés de alguém da platéia."

"Isso é nojento. Do ponto de vista teológico, quanto do ponto de vista higiênico."

Pensei o mesmo quando vi. Quanta imundícia travestida de espiritualidade cristã! Ainda mais utilizando a imagem de um evento tão belo da Bíblia como aquele em que Jesus, o Senhor de todas as coisas, lava os pés de seus imaturos discípulos! Com essa atitude, ele ensinou, na prática, que devemos ser servos de todos, como ele o foi, imitando o exemplo dos escravos que lavavam os pés dos visitantes de uma casa da época.

Mas os integrantes da banda é que têm os pés lavados nessa encenação de "ato profético", o contrário do que Jesus ensinou. No fim das contas, o vídeo merece mais alguns comentários:

1. os feridos pela religião são eles mesmos, que querem ser uma geração apostólica que não podem ser, ao invés de se contentarem em ser simplesmente cristãos, até porque os apóstolos já morreram há muito tempo e deixaram o firme fundamento no qual eles não parecem se firmar;

2. eles falam sobre feridas causadas pelas críticas e juízos mas são os primeiros a não as ouvirem, para ver se elas têm ou não razão de ser, exigindo-lhes mudanças, a tal cura seria só um "Ai, eu estou triste porque me criticam, mas eu não estou nem aí, vou continuar fazendo o que faço, só não quero ficar chateado com isso" (Que cura conveniente, hein?);

3. o "profeta" não entende nada de Bíblia e mistura várias passagens de Gênesis a Apocalipse dando-lhes sentidos questionáveis;

4. o congresso chamado "de Louvor e Adoração" parece ser de louvor e adoração a eles próprios, uma vez que eles se colocam como representantes do povo que se sente ferido pela crítica quando nem todo mundo é tão sucetível a qualquer crítica como eles, que só podem ser elogiados;

5. a profecia não se cumpriu, porque, se eles dizem que aquilo é obra de Deus e por causa daquele ato profético não haveria mais tropeço para a obra de Deus, daí para cá só o que houve foi tropeço e escândalo, incluindo o ato em si, a questão é que sempre haverá escândalos, mas nada vai parar a igreja, contra quem as portas do inferno não podem prevalecer;

6. aquelas águas são "apostólicas" de onde? Da torneira da casa do apóstolo Paulo? Da bacia de lavar roupa da casa de João? Do pote pra fazer a faxina da "casinha" atrás da casa de Pedro? E qual seria mesmo a utilidade prática de uma "água apostólica"?

7. eles não têm poder de firmar pé de ninguém em rocha nenhuma porque nem eles próprios demonstram estar em rocha alguma, pelo contrário, são levados por todo vento de doutrina e nem parecem saber para onde vão, vivendo de visões contraditórias, moveres que não batem com as Escrituras, atos proféticos malucos e coisas do tipo, e até a algumas passagens que eles citam corretamente dão um tom que faz até parecer que é coisa nova (mas podem mesmo ser coisa nova para eles, não é?);

8. a igreja desde o princípio prevaleceu contra as portas do inferno, se não Cristo teria mentido, não vai ser dali que vai começar;

9. eles não podem conceder "rio de Deus" a geração alguma porque o rio de Deus estará na Nova Jerusalém, saindo do trono de Deus e do Cordeiro, e o Espírito Santo (que é figurado por "rios de águas vivas") é concedido pelo Filho, não por "profetas" que misturam passagens bíblicas (Jo 4.10; 7.38; Ap 7.17; 21.6; 22.1);

10. E por fim, mas não menos triste, veja que quando a água suja que lavou os pés dos artistas está sendo lançada contra a platéia que assiste essa marmota toda com a baba escorrendo nos beiços, o "profeta" grita "Receba o Rio de Deus!" E eu, então, pergunto: Por acaso o "Rio de Deus" é a água com o grude dos pés dos artistas desse show? Até como simbolismo é decadente e repugnante! É por isso que eles fazem todo esse frenesi e chororô sem lágrimas? Se é tão boa e santa essa água, por que eles mesmos não a beberam ou tomaram banho com ela, mas a lançaram na cara do povo depois de sujá-la com os pés?

Dá para entender agora por que eu me recuso a apoiar ou participar de certas coisas evangélicas? Muitas delas, além de não expressarem a fé que uma vez por todas foi entregue aos santos, são mais nocivas que proveitosas para os cristãos, conduzindo-os a enganos e desvios. Mas, mesmo assim, creio que podem ser usadas por Deus, além de serem bastante aproveitadas pelo diabo, que adora misturar a verdade da palavra de Deus com mentiras e distorções, como ele fez no Éden.

Congresso de quê?! Não, Obrigado! Prefiro ter comunhão com a igreja e ler a Bíblia mesmo.

- Editado para correções em 15/12/2012.

3 de setembro de 2009

Teologia da libertação: "Deus me livre"

Há algum tempo, comprei uma Bíblia católica para poder ler os livros apócrifos (minha mãe tinha uma bíblia que era um alfarrábio, mas eu não tenho habilitação para dirigir guindaste para transportá-la para onde eu quiser), afinal, quando eu pretendesse discuti-los com alguém, seria natural ser perguntado sobre se já os li, e eu não podia dar a gafe de dizer que nunca os li, como faz muita gente “intelectual” que nunca leu a Bíblia e discorda dela. Então comprei a Edição Pastoral da Editora Paulus.

Antes de comprá-la numa loja de paróquia, não pesquisei sobre a tradução e o conteúdo das notas. Olhei criteriosamente apenas a capa, azul, minha cor predileta, com desenhos amarelos. Eu achei-a bem bonitinha, pois as ilustrações rústicas remetiam a pinturas e mosaicos bizantinos em que todos os santos têm os olhos grandes e a cabeça bem redonda ou oval com uma auréola ainda mais redonda em torno dela. Ademais, por ser azul, a Bíblia combina com todo o meu guarda-roupa, pois minha mãe diz que eu só visto azul. Não deu outra: levei essa mesmo (e o preço também estava bom!).

Ao chegar em casa, percebi duas coisas: a) a linguagem da Bíblia é muito gostosa de ler, fácil de entender; é uma Bíblia realmente voltada para o povo, talvez por isso a capa também lembre literatura de cordel. b) as notas e comentários são capazes de levantar suas sobrancelhas às vezes – sabe aquela sensação de que o PSTU e o PT estão ensinado exegese bíblica para você e que você já leu a Bíblia muitas vezes e “não sabe de nada”? Pois é. Muito Teologia da Libertação, capaz de trazer um desafio e inclusive uma certa descontração no final do seu devocional.

Achei algumas anotações estranhas em relação ao texto e outras até muito à frente do Vaticano, e os livros vêm com subtítulos, alguns inusitados, que fazem você pensar nos comentaristas pelo excesso de criatividade e imaginação que desvelam (De onde os caras tiraram que a intenção do texto era essa? – perguntei-me várias vezes lendo as notas). Eles escreveriam blogs muito maneiros, mas estão se desperdiçando com tanta criatividade nas interpretações figurativas que alguns textos não oferecem.

Alguns subtítulos curiosos:

Josué: a terra é dom e conquista
Juízes: a dinâmica do processo histórico
Rute: a luta dos pobres pelo seu direito
Judite: a invencível força dos fracos (a mulher jejuava demais, acho eu que é por isso...)
2º Macabeus: a fé leva ao heroísmo
Eclesiastes: felicidade é viver o presente
Eclesiástico: a preservação da identidade do povo
Lamentações: o povo humilhado



Eu podia comparar essa Bíblia a uma conversa entre duas pessoas. Uma delas quer pregar a mensagem do evangelho para salvar sua alma, mas pensa em você, às vezes, como uma comunidade. A outra parece que quer mostrar para você que a Bíblia defende um governo de esquerda e que você é uma coletividade numa luta de classes, que inclui reforma agrária.

Ontem à noite, antes de dormir, eu li o trecho das Bodas de Caná. Mas, como não poderia deixar de ser, aproveitei para ler a nota esperando dar uma risadinha. Veja só o que ela dizia:

“[...] João relata este episódio por causa do seu aspecto simbólico: o casamento é o símbolo da união de Deus com a humanidade, realizada de maneira definitiva na pessoa de Jesus, Deus-e-Homem. Sem Jesus a humanidade vive numa festa de casamento sem vinho. Maria, aliviando a situação constrangedora, simboliza a comunidade que nasce da fé em Jesus...” – É o típico momento “nonsense”, digno de um "Dã!"

Dá até para tirar várias lições práticas e reflexões interessantes aqui e acolá, mas o problema dos comentários é que às vezes trazem um sentido bastante diferente do que o autor do texto realmente pretende. No caso, o próprio João escreve no evangelho que confeccionou seu relato da vida de Jesus para que as pessoas creiam neste como o Filho de Deus, e, para que, pela fé neste Nome, tenham a vida eterna.


Sabedor disto, eu imagino um leitor da Bíblia acrítico, formado exclusivamente por comentários assim, viajando na maionese com interpretações simbólicas, algo que definitivamente não estava nos planos dos autores bíblicos quando quiseram apenas transmitir o testemunho de Jesus Cristo para a igreja (Jo 17.17; Hb 4.12; 2Tm 3.16-17; 2Pe 19-22).

As Escrituras não provém de particular interpretação, mas da inspiração do Espírito Santo; e é nesse prisma e sob a direção desse Autor e Intérprete que devem ser vistas. Portanto, ao ler comentários e notas de rodapé tenha muito cuidado. Busque sempre escutar o Mestre:

“Então Jesus disse a eles: ‘Como vocês custam para entender, e como demoram para acreditar em tudo o que os profetas falaram! Será que o Messias não devia sofrer tudo isso, para entrar na sua glória?’ Então, começando por Moisés e continuando por todos os Profetas, Jesus explicava para os discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele.”


[...]

“’São estas as palavras que eu lhes falei, quando ainda estava com vocês: é preciso que se cumpra tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.’ Então Jesus abriu a mente deles para entenderem as Escrituras.”
– Jo 24.25-27 e 44-45. Bíblia Edição Pastoral - Paulus.

26 de maio de 2009

Atos 2.13: Deus não é cachaça

Certa vez, vi um pastor proferir a seguinte “pérola” de interpretação das Escrituras:

"Ordem e decência para você é o quê? Tradicionalismo? Acho que o dia de Pentecostes pra você deve ter sido uma verdadeira desordem e indecência, não é? Imagine um monte de crentes cambaleando como bêbados, falando em outras línguas, como você me explica isso?”

Eu fiquei imaginando como alguém que se intitula pastor e tem a responsabilidade de cuidar bem do rebanho do Senhor, alimentando-o com a palavra de Deus, poderia fazer uma interpretação tão distorcida do Ministério do Espírito Santo em nossas vidas para justificar desordens na igreja.

A idéia que ele passou foi a de que estar cheio do Espírito Santo é como estar embriagado, cambaleando, descoordenado, caindo, dando a impressão para as pessoas de que não estamos muito conscientes do mundo à nossa volta ou de que estamos sem controle. Obviamente, ele aludiu à seguinte passagem de Atos dos Apóstolos:

"Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.

"Havia em Jerusalém judeus, tementes a Deus, vindos de todas as nações do mundo. Ouvindo-se o som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua. Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: “Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando? Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna? Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, do Ponto e da província da Ásia, Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma, tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua!” Atônitos e perplexos, todos perguntavam uns aos outros: “Que significa isto?”

"Alguns, todavia, zombavam deles e diziam: “Eles beberam vinho demais”. (Atos 2. 1-13)


Se você prestar atenção no primeiro capítulo de Atos, a promessa de Jesus era bastante clara: “Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa de meu Pai, da qual lhes falei. Pois João batizou com água, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo” e “receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”. Ou seja, o Espírito Santo nos capacita a sermos testemunhas de Jesus Cristo num mundo que carece do Salvador e que precisa ouvir a respeito dele. (At 1.4-5, 8)

A interpretação de que estar cheio do Espírito é “parecer um ébrio” não se justifica. Jesus – ninguém mais cheio do Espírito Santo que ele para que possamos tomá-lo como exemplo – é prova disso. Ele anunciava a palavra de Deus com coragem. Ele não dava a impressão de não ter autocontrole e discernimento, a não ser para aquelas pessoas que não criam na mensagem dele, que tinham inveja dele e que consideravam suas palavras loucura ou blasfêmias.

O que houve na ocasião da descida do Espírito Santo foi que os discípulos estavam anunciando o evangelho com autoridade, poder e grande alegria. Eles certamente falaram da obra vitoriosa de Cristo. A ousadia e o entusiasmo dos Apóstolos levaram alguns zombadores, que não estavam nem aí para a mensagem, a pensar que eles haviam bebido – mas isso para aqueles que estavam zombando do incidente, porque não compreendiam a alegria e o destemor dos irmãos em anunciar as boas novas, e não estavam dispostos a escutar o que se lhes anunciava. Os discípulos não estavam cambaleando, tentando parecer bêbados ou querendo ser reconhecidos como tais. E também não estavam lá fazendo desordens.

O fato dos novos idiomas falados pelos discípulos foi um presente de Deus à igreja que começava ali, para que a mensagem do evangelho chegasse aos judeus de toda parte, que se encontravam em Jerusalém, naqueles dias, comemorando a festa de Pentecostes. Razão porque os irmãos demonstravam intrepidez, regozijo e obediência em testemunhar de Jesus, manifestando o fruto do Espírito (At 13.52; Gl 5.22-24).

Interessante vermos ainda este texto, que nos esclarece perfeitamente como é estar cheio do Espírito em comparação com pessoas que estão embriagadas:

"Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito, falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor, dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo." (Efésios 5.15-20)


Isso não me parece o tipo de coisa que, quando faz, os outros vão pensar que você está bêbado. O texto exorta para não ser insensato e para saber como viver como cristão, coisa que um ébrio, que vive em libertinagem, não pode fazer.

O problema está quando você abandona a reverência e o temor de Deus e vive a fazer espetáculos “espontâneos” que escandalizam os irmãos e os visitantes, como se estes fossem legítimas manifestações do estar cheio do Espírito Santo.

Se isso não bastou para mostrar-lhe como é estar cheio do Espírito Santo, que tal ver o exemplo de vida destas pessoas, que anunciavam o evangelho corajosamente e glorificavam a Deus alegremente: Paulo, Pedro, João, Estevão, João Batista, Barnabé, Zacarias (pai de João Batista), Isabel...

E veja, também, Efésios 3.14-19:

"Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, do qual recebe o nome toda a família nos céus e na terra. Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do seu Espírito, para que Cristo habite no coração de vocês mediante a fé; e oro para que, estando arraigados e alicerçados em amor, vocês possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus."

Agora faça uma reflexão e responda para você mesmo:

1. Sua igreja é cheia do Espírito Santo dessa forma ou da forma desordenada que algumas igrejas têm apregoado, onde alguns imitam animais, quebram objetos, rodam até cair no chão e desprezam quem não faz o mesmo?

2. O que você acha que a Bíblia realmente ensina sobre estar cheio do Espírito Santo, depois de ver estes textos e ler sobre o comportamento dos primeiros cristãos em Atos?

3. O que as pessoas que estão à sua volta têm manifestado como fruto, de acordo com os frutos descritos em Gálatas 5.16-26?

Citações bíblicas: Nova Versão Internacional, da Sociedade Bíblica Internacional.

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