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28 de outubro de 2016

Burocratizando a Vida Cristã


"Eu lhes afirmo que está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e aqueles que a ouvirem, viverão." João 5.25

Data de protocolo, formulário a ser preenchido com letra de forma e sem rasuras, entregar em três vias, anexar foto 3x4, assinar três vezes e apor a impressão digital do polegar direito... Todo mundo já está bem familiarizado com repartições públicas, concursos, editais, inscrições ou qualquer outra coisa que demanda burocracia. Alguns são tão viciados nesse tipo de coisa que têm até a sua própria forma burocrática de ver o cristianismo e a vida cristã.

Quando você se converteu? Quando você se batizou? Quem são seus pais na fé? Você é membro de uma igreja que batiza por aspersão ou por imersão? Quem assinou seu certificado de batismo? ... Espere aí, isso é uma entrevista para emprego? Para um visto de permanência em país estrangeiro?

Já ouvi muita gente que consegue fazer um histórico detalhado de sua própria vida cristã. E talvez porque muitos consigam lembrar detalhes dessas coisas e os mencionam sempre que falam de si, eu cheguei a pensar que eu precisava mesmo detalhar toda a minha história, registrar todas as datas para que eu pudesse gozar da certeza de ser convertido. Às vezes o convívio com pessoas mais aparentemente seguras cria em nós esta mentalidade meticulosa. E nossos pecados sucessivos pioram as nossas dúvidas. Se realmente me converti, por que não lembro a data especificamente? Isso me afligiu por um tempo.

Eu já passei por crises de identidade assim. Eu não sei em que dia eu me converti de verdade porque para mim isto foi um longo processo. Não me converti num sistema de reação instantânea em cadeia do tipo: “pecador-inconsciente-sai-de-casa-um-dia; culto-com-louvorzão; pregação-emocional; apelo-pelo-amor-de-Deus-alguém-aqui-aceita-Jesus!; levanta-a-mão-visitante!; olha-ele-igreja!; palmas-glória-a-Deus!; oração-perdoa-ele!; ele-está-salvo!; pecador-remido-em-casa”.

Pelo contrário. Eu levei anos observando, questionando e refletindo. Mas lembro que, na minha inocência, eu achava que levantar a mão e ir à frente numa igreja para dizer que "aceitei Jesus" era a segunda parte da burocracia necessária para a salvação que eu achava que havia em Romanos 10.9-10:

"Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação."

Tanto que cheguei até a combinar com amigos crentes para ir aceitar Jesus na igreja deles, muito embora até hoje eu não saiba se a primeira parte (crer) ocorreu antes ou após o evento (mas meu palpite é que tenha sido bem antes, né?). De uma coisa eu sou bem certo, apesar das minhas mancadas e pecados, eu sou cristão.

Alguns pensam que a conversão precisa ser feita num templo só porque aparentemente a maioria das conversões se dá em cultos públicos. Mas não podemos conhecer corações de pessoas só porque elas vão à frente, dão testemunho, se batizam ou atendem a um apelo evangelístico. E isto justamente porque a conversão é um ato invisível: é uma ação vivificadora do Espírito Santo na vida de uma pessoa que estava morta em delitos e pecados, e que estava em franca rebelião contra Deus e sob a ira d'Ele*

"Mas quando se manifestaram a bondade e o amor pelos homens da parte de Deus, nosso Salvador, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador." Tito 3.4-6

É difícil para algumas pessoas se lembrarem de quando e como isso aconteceu porque muitas vezes a conversão, como no meu caso, é um processo difícil de pontuar no tempo. Uma progressiva mudança de mente, uma crescente atração por Deus, um desapego de tudo por algo maior e inexplicável. Como podemos sondar o Espírito de Deus e medir seus misteriosos caminhos em nós?

O fato é que estávamos mortos, e Deus nos fez acordar para a vida. Simples. De repente começamos a produzir frutos divinos, mas não sabemos quando eles nasceram ou amadureceram pela primeira vez. Assim, não importa quando nascemos de novo, pois, sendo a salvação eterna, sua data se perderá no tempo. Que bom que muitas pessoas conseguem se lembrar do dia em que ouviram a voz do Mestre pela primeira vez! Eu não. O que sei, com toda certeza, é que eu estava morto, e Sua voz me trouxe vida; e que eu já não consigo mais imaginar a vida sem essa voz tão doce.

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* Outros detalhes sobre isso podem ser encontrados na Epístola aos Efésios, capítulo 2.

3 de novembro de 2012

Pedras falando e pedras rolando


"Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará." 
Mateus 24:9-12
"Tenho-vos dito estas coisas para que vos não escandalizeis. Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim. Mas tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito. E eu não vos disse isto desde o princípio, porque estava convosco."  
João 16:1-4
"E disseram-lhe [a Jesus] de entre a multidão alguns dos fariseus: Mestre, repreende os teus discípulos. E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão."
Lucas 19:39-40 


Os brasileiros estão cultivando o evangelho que merecem. Por isso não vemos conversões legítimas e impactantes proporcionais à taxa de crescimento dos evangélicos. Quando os ateus nos criticam dizendo que se tivermos um governo evangélico teremos uma ditadura sem liberdades, eu devo concordar. Nosso problema é tão sério que até as pedras estão clamando; porque, quando os de dentro falam, logo o povo gado evangélico os trata da mesma forma que o povo de Israel, distante de Deus, tratava seus profetas: pedradas, ofensas, ameaças e [só falta isto:] morte. E isto não me surpreende nem um pouco, pois quem segue a Cristo deve saber que estar aqui por Jesus é estar aqui para isso.

1 de janeiro de 2012

Ano Novo - Uma oração puritana


O seguinte texto me foi repassado pelo irmão Vinicius Rentz por e-mail. Achei a oração tão bela que decidi compartilhá-la com vocês aqui no blog. Que ela seja a nossa petição, e que Deus nos abençoe e nos dê um excelente ano! 

Ó Senhor,
Os dias passados de nada me servem, exceto os que foram passados
na tua presença, em teu serviço, para tua glória.
Que a tua graça me preceda, siga, guie, sustente,
santifique, e auxilie a cada hora,
que em momento algum eu possa me apartar de ti,
mas seja guardado pelo teu Espírito
provendo cada pensamento,
falando em cada palavra,
dirigindo cada passo,
fazendo toda obra prosperar,
edificando cada linha de fé,
e fazendo-me desejoso de
espalhar teu louvor,
testificar teu amor,
levar adiante teu reino.
Lanço meu barco sob as águas desconhecidas deste ano,
tenho tu, ó Pai, como meu porto,
tu, ó Filho, como meu leme,
tu, ó Santo Espírito, enchendo minhas velas.
Guia-me ao céu com meus lombos cingidos,
minha lâmpada acesa,
meu ouvido aberto aos teus chamados,
meu coração cheio de amor,
minh’alma livre.
Dá-me tua graça para minha santificação,
teus confortos para encorajamento,
tua sabedoria para ensino,
tua mão direita pra guia,
teu conselho para instrução,
tua lei para julgamento,
tua presença para equilíbrio.
Que o meu temor seja temor a ti,
e teus triunfos sejam minha alegria.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho
Extraído de: The Valley of Vision:
A Collection of Puritan Prayers & Devotions, editado por Arthur Bennett, p.112.

www.monergismo.com - Ao SENHOR pertence a salvação (Jonas 2.9)

27 de outubro de 2011

Sorriso amarelo


"Tendo, pois, tal esperança, usamos de muita ousadia no falar." - 2 Coríntios 3:12

Às vezes falamos do céu e de Jesus para nossos amigos, familiares ou estranhos como se fossem algo excelente. De fato são, claro. Mas se somos questionados sobre se toparíamos partir desta vida e estar lá agora mesmo, titubeamos e até dizemos - depois de um sorriso amarelo por não termos sido categóricos - que sim. Alguns de nós ainda somos capazes de argumentar sobre por que ainda temos de permanecer por aqui mais um pouquinho, para justificar nossa hesitação.

Com tamanha convicção para falar com os outros sobre nossa esperança, não admira que muitos por aí nem queiram mesmo pensar no céu como algo que se deva desejar urgentemente, nem com um relacionamento eterno com Deus como algo que se deva buscar agora. Será que não imprimimos nos outros a sensação de que isso é assunto para leito de morte ou pessoas muito idosas?

No fundo, muitas vezes julgamos nossa vida e as coisas que temos neste mundo como mais importantes que nossa pátria celestial e que a vontade de nosso Senhor, mesmo que não queiramos assumir. Somos craques em mentir para nós mesmos, para que não nos convençamos que não somos tão espirituais quanto deveríamos ser. Então não devemos nos espantar de que as pessoas ao nosso redor pensem da mesma forma que vivemos diante delas: que falar do céu é como falar do nosso caixão... provavelmente quem vai escolhê-lo são os outros, porque já teremos "batido as botas"; ou... não devemos dar tanta atenção a isto, já que vai acontecer daqui há um "zilhão" de anos, e nós ainda não estamos velhos.

Os melhores vendedores que conheço apesentam muito bem seus produtos e a si mesmos, acreditam na sua empresa e nos produtos que recomendam, os quais, obviamente, utilizam, e zelam pela própria credibilidade e pelo seu encargo. Ou fingem descaradamente. Como esta última não é uma opção para cristãos, creio que fazemos todo o bem em anunciar as boas novas com entusiasmo, convicção, sinceridade, preparo e zelo, da mesma forma como devemos vivenciá-lo em nosso dia a dia.

Como conseguiremos conquistar as pessoas para Cristo e levá-las a reconhecer que, de fato, temos algo tão bom para oferecer-lhes, se não parecemos ter nossa vida alicerçada na esperança do evangelho como se ele fosse o nosso próprio alimento ou o coração que impulsiona os nossos corpos? 


"Vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória." - Colossenses 3:1-4

15 de outubro de 2011

Discipulado, o que é isso?

Abaixo você pode ver uma bela apresentação que mostra como fazer discípulos deveria ser. Num mundo onde cada vez mais a igreja tenta ser uma ressurreição do antigo programa do Sílvio Santos: "Topa tudo por Dinheiro", até que ela veio em boa hora!

10 de outubro de 2011

Neofilia: de bueiro em bueiro e rumo ao sumidouro

"Jesus perguntou, então, aos seus discípulos:
 —Vocês entenderam as coisas que eu acabei de dizer?
E eles responderam:
—Sim, entendemos.
E Jesus lhes disse:
—É por isso que todo professor da lei, quando aprende a respeito do reino do céu, se torna semelhante a um pai de família que tira de seu depósito tanto coisas novas como coisas velhas." -- Mateus 13.51-52, Versão Fácil de Ler.

Tenho um grande amigo aqui perto, e nos vemos sempre. Às vezes nos vemos online ou pessoalmente, mas nos vemos tanto que, ao perguntar pelas novas, sempre me dá suas velhas respostas-bordão, como "Nada é tão novo... nada é tão antigo", "As novas já estão todas velhas"... Eu prefiro dizer que estou sem novidades mesmo. Isso só ocorre porque sempre lhe pergunto pelas novidades, mesmo que o tenha visto há três dias. Às vezes eu acho que eu pergunto só para tentar adivinhar qual dos bordões ele vai usar em cada resposta... Amigos de muito tempo sempre têm diálogos recorrentes.

Enfim, estar em dia, quem não quer, não é? Meu navegador de internet, por exemplo, já abre no Google Notícias para, se eu quiser, acompanhar as últimas. Como em todo o mundo, a igreja também tem gente assim - e muita. Por vezes, parece até que só tem mesmo gente assim. Obviamente, alguns sabem tirar proveito dessa atitude no meio eclesiástico, que muitas vezes é igual ao dos atenienses: ócio constante, inclinação ao ego e busca das últimas novidades, sensações e emoções.

Escrevo isto porque fiquei estarrecido ao ler alguns artigos na internet noticiando que um tal ministro evangélico estrangeiro veio ao Brasil, patrocinado e anunciado por uma agremiação evangélica chique, para comunicar aos "brothers & sisters" daqui produtos supostamente sobrenaturais e vanguardistas, como "ativação profética", "liberação de destino", "novas unções": sobrenaturalezas e espiritualices mais.

Impressiona-me ver que, na busca por atrair público - e obviamente agregar um pouquinho de fama, poder, influência e alguns contos no bolso, alguém se dê ao trabalho de, usando Jesus como garoto-propaganda, inventar um monte de coisas que não existem, que nunca fizeram falta e que não têm utilidade alguma - nem teórica e nem prática, levando em conta que o apelo do novo mexe com a vaidade e a cobiça das pessoas, seja porque elas querem levar alguma vantagem sobre os outros, receber alguma informação privilegiada ou por outro motivo qualquer.

O apelo ao novo é algo tão explorado e fácil de fazer que vi algo assim, ontem mesmo: enquanto eu organizava uns livros na minha estante, ouvia representantes de um grupo religioso, num programa de televisão local, anunciando um evento (não reparei se era evangélico ou não. Embora eu creia que não; já que nem se falou do evangelho, e com muito custo se mencionou metade de um versículo. E eu não estava no mesmo cômodo em que a televisão para ver a imagem). Eles pareciam que realmente não tinham nada de importante a dizer ou a testemunhar com aquele evento. Repetiam sem parar as mesmas falas, e perdoem-me reproduzir a repetitividade deles aqui, porque estou apenas participando-lhes o que eles disseram: que "porque os jovens gostam de novidades...", "porque os jovens querem novidades...", "porque os jovens curtem novas sensações...", "porque os jovens querem vida..." Um milhão de vezes mencionaram as palavras "jovens", "novo", "sensações", "novas", "experiências", "novidades"... O engraçado é que era notório que a extrema falta de conteúdo dos religiosos combinava perfeitamente com a absurda falta de ter o que passar do programa televisivo. Sobrava tempo e faltava assunto (Ou eles pagaram por tempo de mais na TV para assunto de menos?). O que ficou da "mensagem", para mim, é que "se você é jovem e gosta de ficar sentindo coisas novas, aquele evento é um 'must' para você! Você vai sentir várias coisas! E o mais importante: são coisas novas! Ah... elas também são de 'Deus'".

Enfim, creio que isso apenas ilustra mais uma vez o que se vê naqueles cartazes vãos de anúncios de programações de igrejas que aparentemente deixaram, como propósito de sua existência, o testemunho do evangelho de Jesus Cristo (digo "aparentemente" porque creio que, em muitas dessas instituições, ainda há gente de Deus, mesmo que não fique evidente; e, porque, amiúde, o que mais avulta é o que há de pior, e o que causa mais impacto). 

Igrejas que deixam o evangelho para viver de novidades, como não têm mais razão de existir, subsistem apenas para atender à vontade das pessoas vazias que sustentam seu funcionamento. Pessoas estas que, como não têm no evangelho e no senhorio de Cristo uma âncora segura, uma Rocha e um Norte para a vida, seguem arrastadas pela correnteza da modernidade cada vez que um bueiro diferente é aberto; almas que têm, como filosofia e propósito, o frescor das emoções, das sensações e das informações que as vão tragando num sumidouro atraente, porém, fatal.

Curioso que o velho apóstolo Paulo, em epístola escrita aos cristãos da região da Galácia (porque eles estavam deixando a mensagem do evangelho da salvação - que é o poder e sabedoria de Deus manifestados na pessoa e na obra de Cristo na cruz - por obras da Lei de Moisés, que não podiam salvar), censurou-os mais ou menos assim: "Gálatas, seus malucos! Quem foi que enfeitiçou vocês?" [Gálatas 3.1]... Agora me sinto como ele parece ter se sentido ao escrever aquilo, com um misto de espanto e urgência sem tamanho, ao olhar para a igreja evangélica. Para a qual, simplesmente ouvir o evangelho, que nunca deveria deixar de ter sido sua essência, hoje realmente soaria como algo inédito: a grande novidade das velhas "boas-novas"!

E se sobram ministros malucos que não pregam o evangelho por amor a Deus - e já que nem mesmo o amor de Cristo os comove a fazer tal - que pelo menos o fizessem, não por amor ao dinheiro ou às pessoas, mas por amor... ao novo! Se eles não quiserem fazê-lo mesmo assim, queiramos nós! Não temos opção. Pois, como repetia o velho Seu Barriga vestido de garçom num episódio de Chapolim, em que levou muitas pancadas: "Estamos aqui pra isso!". E, como dizia um bom e sábio apóstolo, de quem sinto saudade tendo-o conhecido apenas de ouvir falar, o qual agora está descansando no andar de cima, depois de uma vida terrena marcada pela fidelidade exemplar, pelo fervor pelas imutáveis palavras da vida eterna e pela renúncia a tudo pelo Salvador e Senhor que o amou e que deu a  Sua própria vida por ele: "o amor de Cristo nos constrange".

Que o amor de Cristo, de fato, tome conta de nossas vidas e nos faça prosseguir, a todos, para vivermos e testemunharmos o indispensável e eterno evangelho, seja ele novo, seja ele velho!

"Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." - 2 Coríntios 5.14-15, NVI

13 de setembro de 2011

Como Evangelizar Evangélicos

Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!  - Mateus 7.22-23

O meio evangélico é um dos campos missionários mais vastos do nosso país. Alguém duvida? Então fique atento ao modo de pensar e viver dos milhões de “crentes” que andam por aí e ficará surpreso. A maior parte dessa gente não demonstra nenhuma transformação de caráter, nenhuma alteração em seus valores, nenhum compromisso com a santificação e nenhum grau de discernimento espiritual. Parece que a estratégia principal do diabo para destruir a obra de Deus nas últimas décadas deixou de ser debilitar igrejas verdadeiras com os atrativos da apostasia. Agora, ele cria igrejas falsas compostas por cadáveres espirituais apodrecidos com o objetivo de emporcalhar o santo nome de cristão diante do mundo.

Esse método tem dado certo. Com efeito, não é difícil encontrar “crentes” de todos os tipos. Há evangélicos que formam blocos de carnaval e mulheres “cristãs” que falam e se comportam como prostitutas desavergonhadas. Há ainda “pastores” gays casados entre si e missionários e evangelistas hábeis na “arte” do estelionato, além de uma massa enorme de gente de péssima qualidade moral que, às vezes, sai em passeata pela rua gritando o nome de Jesus com a mesma boca com que fala palavrões.

Isso mostra que, de fato, o meio evangélico é um vasto campo missionário. Crentes de verdade, pessoas que conheceram o real poder do evangelho de Cristo, devem testemunhar a esse povo acerca da graça salvadora de Deus, evitando acreditar na piada de que eles são irmãos na fé que precisam apenas de algumas correções. Não. O problema básico da maioria dos neo-evangélicos não é falta de doutrina, mas sim falta de novo nascimento, sendo dever do cristão genuíno apresentar-lhes o evangelho da cruz.

Como isso pode ser feito de forma inteligente, sem deixar que a discussão se perca em meio a opiniões religiosas sem importância? Bom, não acredito em métodos infalíveis do tipo “Doze passos para ganhar um evangélico para Cristo”. Como pastor reformado, penso que só o convencimento do Espírito Santo pode conduzir alguém aos pés da cruz. Creio, contudo, que no trato com crentes falsos, o mensageiro do Senhor pode evitar perder tempo com tolices se agir da forma descrita a seguir.

Primeiro, pergunte se o “irmão” é crente. Não se assuste. A reação dele vai ser mais ou menos assim: “É claro que sou! Eu já não lhe falei que faço parte da Comunidade Evangélica Fogo da Sarça – Sede Mundial?” É nesse ponto que você vai fazer a pergunta fatal. Diga-lhe mais ou menos o seguinte: “Ah, é verdade! Você havia dito... E como foi sua conversão?” Pronto. É aqui que tudo desaba. O neo-evangélico não sabe o que é conversão. Ele vai ficar confuso, vai perguntar o que você quis dizer com essa pergunta, vai contar como foi batizado, como Jesus curou a dor que ele tinha no braço, como o pastor profetizou que ele ia achar emprego, enfim, vai dizer uma tonelada de sandices.

Então você deverá responder: “Amigo, eu tenho certeza de que todos esses episódios foram importantes para você, mas eu perguntei outra coisa. Eu perguntei quando foi que você, após ouvir ou ler a Palavra de Deus, descobriu apavorado que era um pecador perdido, separado da glória de Deus e caminhando para a perdição eterna; quando foi que, ouvindo o Evangelho, você aprendeu que Cristo veio a este mundo como substituto perfeito, a fim de sofrer a punição pelo nosso pecado; quando você entendeu o sentido de sua morte e ressurreição e quando, enfim, com essas informações em mente, você se lançou humilhado aos pés da cruz, dizendo: “Senhor, concede-me os benefícios da tua obra redentora. Lava-me, purifica-me, perdoa-me, salva-me. Eu te recebo, pela fé, como Deus e Salvador.’ Quando foi que isso aconteceu em sua vida?”

Não estranhe. O “irmão” vai olhar para você como se estivesse diante de um ET falando mandarim. Tenha, então, compaixão dele e, pacientemente, passe a explicar-lhe todas as coisas que disse.

Bom, espero que essas “dicas” ajudem. Ainda mais considerando que temos evangélicos incrédulos por toda parte, “revelando” que há muito trabalho a fazer. Realmente temos de aceitar esse fato: o nosso quintal também está branco para a ceifa.

Soli Deo gloria!

Por: Pr. Marcos Granconato

4 de junho de 2011

Dos sonsos, brincalhões, mais-que-perfeitos, esquecidos e do tubinho de corretivo


"Não me arrependo de nada." -- respondeu certa celebridade, em entrevista a um programa de TV sensacionalista, ao ser perguntada se acaso se arrependia de algo em sua vida. Talvez eu não tivesse me importado tanto se a entrevistada não apregoasse ser "evangélica" e não tivesse uma vida artística indecente e cercada por polêmicas desde antes de sua "conversão". A inquietação que surgiu na hora me trouxe várias perguntas: 
  • Que mensagem alguém assim estaria transmitindo? 
  • Que imagem do evangelho um indivíduo não evangélico teria ao ver esta entrevista? 
  • O que levaria uma pessoa que se diz "evangélica" a afirmar que não se arrepende de nada em sua vida? 
  • Será que tal pessoa realmente entendeu as boas-novas (que devemos nos arrepender de nossos pecados e crer em Jesus Cristo para sermos perdoados por Deus - Atos 3.19; 4.12) e teve um encontro real com Jesus? 
  • Saberia ela o que é ser amada, perdoada e recebida de braços abertos por um Deus justo, santo e perfeito? 
  • Conheceria o significado da palavra graça (favor de Deus)?

Na certa, ninguém afirmaria "eu sou perfeito" ou "eu nunca erro"... seria absurdo. Mas se dizemos que não pecamos e que não temos de que nos arrepender, fazemos de nós mesmos mentirosos e incoerentes (1 João 1.6-8), pois é como se disséssemos que estamos em pé de igualdade com Deus em sua perfeição e santidade e que nada devemos a Ele.

Ao falarmos de conduta cristã, não devemos tomar como padrão a opinião pública ou o politicamente correto, mas a palavra de Deus. E esta nos diz que todos falhamos e fomos reprovados aos olhos de Deus, e que somos desesperadamente carentes da redenção e do perdão divinos, que se encontram somente por meio de Jesus Cristo (Romanos 3.10,12,23-24).

Creio que seria fácil condenarmos imediatamente alguém que segue um estilo de vida indecente, pecaminoso e cheio de vicios, pois facilmente nos veríamos como pessoas não tão ruins apenas por não comungarmos especificamente dos mesmos erros. Mas Jesus não pensa da mesma forma: o resumo de sua mensagem a todos é: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho" (Marcos 1.15; veja também Lucas 13.1-3). Porque todos pecamos, e apenas um pecado é suficiente para condenar-nos diante de Deus (Romanos 3.10, Tiago 2.10).

Assim, para chegarmos a Ele e obtermos seu perdão, devemos deixar nossos pecados. E, se deixamos nossos pecados um dia, crendo que eles foram pagos por Jesus, e que, agora, libertos deste peso, somos livres para vivermos para Deus, por que diríamos depois que não nos arrependemos de nada? Bizarro!

Nosso orgulho muitas vezes faz com que, mesmo tendo sido regenerados, em alguns momentos de nossa existência, façamos pouco caso de nossos pecados, como se eles não tivessem importância. Mas foi precisamente por causa deles que Jesus derramou sua vida na cruz, tornando-se o sacrifício perfeito que pagou a pena que merecíamos por cometê-los (Romanos 5.6-8).

O pecado habitual nos torna insensíveis e leva a uma certa "amnésia" em relação ao primeiro amor entre nós e Deus. Precisamos estar atentos para isso, a fim de evitarmos que Ele tenha que chamar nossa atenção de forma mais enérgica. Porque Deus castiga aos filhos que ama, e tudo fará a fim de que possamos andar em comunhão e santificação junto de Si (Apocalipse 2.5).

Jesus ordena urgentemente que nos arrependamos. E não podemos nos valer de pretextos e nem nos deixar iludir por quem transmite um evangelho diferente, seja com suas palavras ou com seu exemplo (Gálatas 1.8-9). Como podemos menosprezar o arrependimento, nós que passamos por ele quando conhecemos o amor do Mestre outrora? Como podemos negar nossa fé assim? Não importa o que digam por aí, a Bíblia é muito clara em afirmar que sem santidade ninguém verá a Deus, e santidade não pode haver onde o pecado se torna constante e subestimado (Hebreus 12:14).

Uma vez brinquei com uma colega de trabalho, a qual me perguntou se eu tinha um tubinho de corretivo para emprestá-la, porque ela tinha errado escrevendo de caneta. Eu lhe respondi: "Não, não tenho. Corretivo é para quem erra." -- Brinquei, claro. E nós rimos muito. Mas tem gente por aí que fala isso sério!

4 de maio de 2011

Porque podemos ter certeza da salvação


Os estudiosos dizem que a Carta de Paulo aos Romanos é a cordilheira do Himalaia de toda a revelação bíblica. Se Romanos é a cordilheira do Himalaia, então, Romanos 8 é o pico do Everest. Em Romanos 8.29,30 Paulo faz cinco afirmações gloriosas, que são o fundamento da certeza da nossa salvação.

1. Deus nos conhece de antemão (Rm 8.29). Antes de Deus lançar os fundamentos da terra, acender as estrelas no firmamento e chamar à existência as coisas que não existiam, Deus já havia colocado o seu amor em nós, e nos conhecido como seu povo amado. O verbo conhecer tem o mesmo significado de “amar”. O amor de Deus é eterno, imutável e incondicional. Ele nos amou em Cristo, seu Filho amado, desde toda a eternidade.
2. Deus nos predestina para a salvação (Rm 8.30). Não fomos nós que escolhemos a Deus, foi ele quem nos escolheu. Nós amamos a Deus porque ele nos amou primeiro. Deus nos predestinou não porque previu que iríamos crer em Cristo, cremos em Cristo porque ele nos predestinou. A fé não é causa da eleição divina, é sua consequência. Eu não fui eleito porque cri, eu cri porque fui eleito. Deus não nos predestinou porque previu que iríamos ser santos. Nós fomos eleitos não por causa da santidade, mas para sermos santos e irrepreensíveis. A santidade não é a causa da eleição, mas seu resultado. Deus não nos elegeu para a salvação porque previu nossas boas obras, mas fomos criados em Cristo Jesus para as boas obras. As boas obras não são a causa da predestinação, mas sua consequência. A nossa salvação é obra exclusiva de Deus para que toda a glória pertença a Deus.
3. Deus nos chama com santa vocação (Rm 8.30). Aqueles a quem Deus conhece e predestina, a esses também Deus chama e chama eficazmente. Há dois chamados: um externo e outro interno; um geral e outro específicio; um dirigido aos ouvidos e outro dirigido ao coração. Jesus diz que as suas ovelhas ouvem a sua voz e o seguem. A voz de Deus é poderosa. Os eleitos de Deus podem até resistir a essa voz temporariamente, mas não finalmente. O mesmo Deus que nos elege na eternidade, tira as vendas dos nossos olhos, o tampão dos nossos ouvidos, retira o nosso coração de pedra e nos dá um coração de carne. Ele mesmo opera em nós o querer e o realizar, abrindo nosso coração, dando-nos o arrependimento para a vida e a fé salvadora.
4. Deus nos justifica conforme sua graça (Rm 8.30). Aos que Deus conhece, predestina e chama, também justifica. A justificação é um ato e não um processo. Acontece fora de nós, no tribunal de Deus, e não em nós. A justificação não tem graus, todos os que creem em Cristo estão justificados de igual modo diante do tribunal de Deus, por causa do sacrifício substitutivo de Cristo. Aqueles que estão justificados estão quites com a justiça de Deus e com as demandas da lei de Deus. Não pesa sobre eles mais nenhuma condenação. Toda a infinita justiça de Cristo é deposita em sua conta.
5. Deus nos glorifica para a bem-aventurança eterna (Rm 8.30). Aqueles que são amados e predestinados na eternidade e salvos no tempo desfrutarão da bem-aventurança eterna. Embora, a glorificação dos salvos seja um fato futuro, que se dará na segunda vinda de Cristo, na mente de Deus e nos decretos de Deus já é um fato consumado. Aqueles que crêem em Cristo e estão guardados nele têm a garantia do céu. Nada nem ninguém poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo. O apóstolo Paulo diz que aquele que começou a boa obra em nós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus. Que Deus seja louvado por tão grande salvação!
Por Hernandes Dias Lopes
Publicado no Hospital da Alma,via Bereianos.

21 de abril de 2011

O Evangelho em 3 Minutos - A Páscoa

Espero que você não esteja aí achando que a Páscoa tem tudo a ver com chocolate, ovo, coelho e comer peixe. A Páscoa não é nada disso. Veja uma meditação bastante interessante sobre a origem e o significado desta celebração para judeus e cristãos. 

O conteúdo do vídeo está transcrito abaixo.



Leitura: Mateus 26:17-30


Era o primeiro dia da Festa dos pães sem fermento, que fazia parte das comemorações da Páscoa dos judeus. A Páscoa foi a celebração instituída por Deus antes da última das dez pragas que caíram sobre o Egito por faraó ter se recusado a libertar os israelitas da escravidão.

Naquela ocasião cada família sacrificou um cordeiro e passou o seu sangue no batente da porta. Enquanto os israelitas comiam o cordeiro assado dentro da casa, o anjo do Senhor passou sobre o Egito trazendo consigo o último dos dez juízos de Deus contra o Egito, a morte dos primogênitos. As casas cujas portas estavam assinaladas com sangue foram poupadas. O sangue indicava que ali um cordeiro já tinha morrido no lugar do primogênito. A palavra "páscoa" significa "passar por cima".

Li uma história da 2ª Guerra Mundial que falava de uma aldeia na Europa que foi invadida por um grupo de soldados dispostos a eliminar seus moradores. A missão de cada soldado era entrar nas casas, matar todos e, na saída, deixar na porta uma marca com o sangue das vítimas, para que os outros soldados não perdesse seu tempo entrando ali.

Um morador percebeu o estratagema, correu para sua casa, matou um animal e fez o sinal de sangue na porta. Ele e sua família foram poupados. Hoje, quando Deus olha para humanidade, vê duas classes de pessoas: os pecadores salvos, que foram assinalados pelo sangue do Cordeiro de Deus quando creram em Jesus, e aqueles que ainda estão sujeitas ao juízo reservado aos pecadores que não foram salvos.

Muitas coisas que você lê no Antigo Testamento são símbolos de Cristo, e a Páscoa é uma delas. O derradeiro Cordeiro de Deus já foi morto no lugar do pecador, e o seu sangue está agora disponível para assinalar todo aquele que decidir crer em Jesus. Os israelitas naquela noite fatídica no Egito só tinham uma forma de se proteger do juízo de Deus: o sangue de um cordeiro. Você hoje só tem um meio de escapar do juízo eterno: o sangue do Cordeiro.

Portanto, qualquer mensagem chamada de "evangelho" que não fale do sangue de Jesus, o Cordeiro de Deus, como único meio de salvação, não é o evangelho que você encontra na Bíblia. Qualquer mensagem que fale de salvação baseada em boas obras exclui o sangue do Cordeiro. A carta aos Hebreus diz que "sem derramamento de sangue não há remissão [retirada] de pecados".

Naquela noite todas as famílias no Egito perderam seus primogênitos, exceto aquelas identificadas pelo sangue do cordeiro. Deus havia prometido que, quando visse o sangue, passaria por cima daquela casa. E em você, o que Deus vê? Seus pecados ou o sangue de Jesus, o Cordeiro de Deus?



12 de março de 2011

Mediocridade, uma conveniência evangélica

Estava pensando hoje ao acordar como os evangélicos pensam pequeno. Acredito que o pensamento medíocre seja um dom altamente desenvolvido em nosso meio, inconscientemente, mas não um dom vindo da parte de Deus, visto que deixa de lado a sabedoria e, muitas vezes, o temor d’Ele.

Lembrava-me de como não temos visão para movimentarmos mundos e fundos para erguer um orçamento de mais de um milhão de reais porque “Mr. Sicrano Máximus”, grande pastor conferencista de televisão, queria fazer uma apresentação de dois dias num megapalco, em uma grande cidade brasileira, a pretexto de pregar o evangelho. Penso o que esta mesma quantia poderia fazer a curto, médio e longo prazo se distribuída entre vários missionários que estão passando dificuldade na África e em outros países da América do Sul, enviados por igrejas realmente interessadas em missões, principalmente levando-se em conta que, em muitos desses lugares, o câmbio faria o dinheiro render ainda mais.

Às vezes concentramos todo o esforço num megashow de dois dias, interessados em que muitas mãos sejam levantadas e contadas, e que a cifra dessas “conversões” seja alta o bastante para nos fornecer um atestado de espiritualidade e serviço cristão para que os críticos possam ver, uma estatística interessante para que os fãs possam se gloriar e para que os colaboradores não se desanimem.

Não nos ocorre que aquelas pessoas depois de levantar as mãos, impelidas por emoção, depois de uma apresentação onde se fez de tudo para que elas chorassem e deixassem a razão de lado para “aceitar Jesus”, vão voltar a pensar uma segunda vez, parar de chorar e, possivelmente, não ter impacto algum. Não nos importa que elas não pensem no que vão ter que renunciar ou sofrer para seguir o mestre, nem que calculem o preço de deixar tudo para não ter que desistir no meio do caminho (Lucas 14-26-33); tampoco queremos saber quem irá lhes ensinar a ser um discípulo, depois da queda dos confetes, transmitindo-lhes tudo o que ele havia ensinado.

Em se tratando de coisas assim, quanto menos se pensa, melhor para quem lucra.

O show terminou. Já temos a estatística. Já temos um laurel. Por que achar que fazer missões é fazer discípulos (ensinando-os, batizando-os, ajudando-os a descobrir e desenvolver seus dons, oferecendo-lhes apoio em suas necessidades materiais e espirituais...), se eu posso [convenientemente] pensar que basta transmitir o “Plano de Salvação” e manda-lo embora com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos, abandonando o prospecto discípulo ao Deus dará?

Há alguns anos, vi uma cantora evangélica que, tendo em vista o anúncio de um iminente contrato dela com a Som Livre, atacou dizendo que os evangélicos invadiriam a mídia secular, que haveria novelas evangélicas (juro que quando vi o vídeo explodi em gargalhadas, imaginando a breguice que seria; porque evangélicos sempre gostam de fazer um "genérico santificado" para si das coisas que invejam do “mundo”, atestando contra si que este consegue fazer quase tudo com uma qualidade melhor, só que  irremediavelmente “mundano”, para que justifique fazer-se uma cópia barata gospel para os crentes). Obviamente os fãs colheram esta “pérola” como uma profecia de “cousas ocultas... mistérios...” vinda do Espírito Santo...

Entretanto, na época anterior à da “profetada”, Aline Barros já tinha contrato com a Som Livre e já tinha passado em vários programas de TV (inclusive na “Rede Esfera”); pastores e igrejas já tinham jornais, rádios, canais de televisão e horários adquiridos da grade de canais não-religiosos (nos quais alguns religiosos gospel já passavam mais tempo que gado no Canal do Boi ou propaganda da TekPix - virando o relógio, mas não o disco, quando o assunto é pedir mais e mais dinheiro). Se os católicos de sucesso vez por outra sempre passaram na mídia secular sem fazer alarde de pobre besta quando fica rico, lógico que os evangélicos já estavam a caminho inevitável disso, como o próprio cenário demonstrava em simples observação, pois se a população evangélica cresce... 

Profetas do óbvio são dispensáveis e não são profetas, mormente quando fingem ser. Não precisamos desses exemplares, mas, urgentemente, de babás.

O que me deixa triste é por que os evangélicos invejam tanto a fama e a oportunidade da mídia secular quando temos potencial para fazer muito melhor sem ela. O alcance que a mídia televisiva tem de público não é tanto quanto podemos atingir se apenas fizermos nosso papel, vivendo como servos de Cristo em nossa família, nosso local de trabalho, nossa vizinhança, no relacionamento com pessoas desconhecidas e nos campos missionários...

A televisão não tem o poder de fazer um amigo, de conhecê-lo profundamente e por anos, de compartilhar momentos bons, ruins e uma boa palavra, de cuidar ou de amar. A televisão não pode interagir, escutar seus problemas, trazer um bom conselho na hora em que você precisa, ajudar-lhe com suas necessidades prementes, nem mostrar-lhe, na prática, um pouco de Deus.

Eu questiono seriamente esse querer demais o que o mundo pode dar, quando Jesus recusou as tentações de autossuficiência, fama, poder, riqueza e glória deste mundo que Satanás lhe fez. Para quê eventos públicos caríssimos, de questionáveis resultados espirituais, e o desespero por utilizar-se a ferro e fogo da mídia secular, que com ela traz todo um pacote contratual que limitaria nossa liberdade cristã de pregar o evangelho como ele de fato é, exigente  e exclusivista?

De acordo com Mateus 28.19-20, temos a missão de fazer “discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu [Jesus] vos tenho mandado.”

Mas parece que estamos apenas torcendo para que meia-dúzia de ídolos gospel, a quem delegamos nosso papel de louvar, engrandecer a Deus e fazer discípulos, o façam na caixinha boba de elétrons em nosso lugar, para que o mundo veja seus brilhos, polichinelos, mortais de costas, bordões toscos, quedas, gritarias, gemidos, urros, imitações de animais e holofotes seculares alugados, e, quiçá, no futuro, também, suas cafonas novelas farisaicas que mostrariam a vida “gospel” limitada a coisas imitadas do “mundo” - para mais desgraça e vergonha nossas.

É bem conveniente mesmo para nós, evangélicos, abdicar do nosso mister de discípulos e estabelecer e financiar “representantes” que o sejam em nosso lugar, mesmo que eles tenham modos excêntricos e questionáveis – basta que sejam a única casta do nosso meio que goze de “intocabilidade ungidástica”, do mesmo jeito que os deputados gozam de imunidade parlamentar, só que... “gospel”. 

Outro problema é que nossos “representantes” não fariam, como não fazem a contento, nosso papel de pregar a verdade como ela é: pois a verdade desagradaria uma parcela do mercado consumidor dos produtos deles, e eles deixariam de lucrar mais. Mas, não  precisaríamos nos apoquentar, nós (re)compensaríamos isto – como já o fazemos – enriquecendo-os pela compra de seus CDs, DVDs, livros, bonecos, chaveiros, cadernos, garrafinhas de água, relógios de pulso, camisetas, bonés...

Por Avelar Jr.

28 de fevereiro de 2011

Deus odeia o pecado, mas ama ao pecador! É isso mesmo?


Podemos aceitar que existe um sentido genérico do amor de Deus. Ele demonstra e fala de amor ao mundo, à humanidade, à sua criação. Como calvinista, não tenho nenhuma dificuldade em aceitar isso. Temos que entender, porém, que no sentido salvífico (a salvação eterna da perdição e condenação do pecado) o amor de Deus é derramado exclusivamente sobre o seu povo e, individualmente, sobre os que ele eficazmente chama para si. Sobre aqueles que responderão, ao chamado eficaz, abraçando a Cristo como único e suficiente Salvador.

A frase "Deus odeia o pecado, mas ama ao pecador", entretanto, por mais que seja proferida e repetida, é uma forma simplista de expressar uma situação complexa, pois realmente é impossível separar o pecado do pecador, como se o pecado fosse uma entidade com vida independente, que apenas se utiliza do corpo e da mente do praticante.

Tiago (1.12-15) nos ensina que o pecado é gerado dentro das pessoas, partindo da própria concupiscência, externando sua prática em um relacionamento "simbiótico" (de dependência mútua) com o praticante. Sem barreiras e controles, enfim, sem a redenção, leva à morte.

O pecado é algo odioso em suas manifestações. Estas são verificáveis nas pessoas, pecadoras, sem as quais ele é indescritível e amorfo.

Em Romanos 9.11-18 a Bíblia fala do "aborrecimento" (ódio) de Deus contra Esaú, contrastando com o amor derramado sobre Jacó. Mas a Palavra de Deus expressa em outras ocasiões (além desse caso específico, de Esaú e Jacó) o ódio ("aborrecimento") de Deus a pecadores. Isso ocorre, porque ele é tanto JUSTIÇA como AMOR.

Por exemplo, no Salmo 11.5, lemos "O Senhor prova o justo e o ímpio; a sua alma odeia ao que ama a violência". Veja que ele não odeia somente a violência (inexistente, sem o praticante), mas "ao que ama a violência" - uma pessoa, o pecador.

Em Pv. 6.16-18 lemos sobre sete coisas que o senhor abomina (odeia): olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contenda entre irmãos. Quando lemos essa descrição das "coisas" que o Senhor odeia, vemos que elas não são especificamente "coisas", mas são pessoas que realizam certas ações; a descrição é a de pessoas que Deus abomina. Isso fica bem claro nas duas últimas "coisas" - uma pessoa, ou outra, que é: "testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos".

Não resta dúvida, portanto, que pelo menos nessas instâncias específicas Deus odeia pecadores. Consequentemente, isso deve nos fazer cautelosos de dar uma declaração genérica e abrangente de que ele não odeia pecadores, pois esse ensinamento não pode ser atribuído, dessa maneira, à Bíblia e carece de inúmeras qualificações.

Por Solano Portela
Publicado originalmente em O Tempora! O Mores!



Comentário de Avelar Jr.: Eu estive pensando sobre isso dia desses na Escola Dominical e levei alguns textos bíblicos para que minha classe considerasse.: "Deus ama realmente o pecador?"

O que podemos pensar diante de versículos como os que transcrevi abaixo? "Deus amou o mundo de tal maneira" (João 3.16), mas...

"Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;" - Colossenses 3.6

"Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência." - Efésios 5.6

"Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece." - João 3.36

"Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." - Efésios 2.3

"E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição" - Romanos 9.22

"Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes." - Tiago 4.6 (veja também 1 Pedro 5.5)

"Porque o SENHOR, o Deus de Israel diz que odeia o repúdio, e aquele que encobre a violência com a sua roupa, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto guardai-vos em vosso espírito, e não sejais desleais." - Malaquias 2.16

"O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um como o outro são abomináveis ao SENHOR." - Provérbios 17.15

"Porque o perverso é abominável ao SENHOR, mas com os sinceros ele tem intimidade." - Provérbios 3.32

7 de fevereiro de 2011

O dia em que senti vergonha da Bíblia

"...Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?" - Atos 2.11 

"Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" - 1 Pedro 2.9

Eu gosto muito de ler a Bíblia. Tenho uma que considero de cabeceira, apesar das várias versões que tenho. Quando decoro versículos, quando estudo mais seriamente uma passagem e em diversas ocasiões sempre recorro a ela.

Desde que me converti, me alegrei com sua companhia. Temos sido amigos íntimos: íamos ao culto juntos, viajávamos juntos e, mesmo com os traços de idade e o desgaste do tempo, ela ainda está aqui comigo com seus rabiscos, cores, ícones e marcações que desenvolvi.

Lembro-me de que uma vez, eu e minha mãe fomos à casa de uma senhora idosa, amiga da família, cujos alegria e sorriso eram constantes mesmo nas maiores adversidades. Muito religiosa e receptiva, ela era sempre disposta a ouvir falar de Deus; católica devota, ainda benzia quem a procurasse -- uma pessoa simples, carinhosa e que, na sua luta pela sobrevivência, talvez nunca tenha frequentado uma escola na vida.

Lembro-me de que pedi-lhe para ler uma passagem da Bíblia: uma daquelas em que Jesus curou alguém, porque ela própria estava enferma. Eu comecei a lê-la muito animado e, à medida que lia, vi quantas palavras pareceriam desconhecidas ou confusas para uma pessoa de pouca ou nenhuma educação como ela.

Obviamente eu iria comentar o texto em seguida, mas fiquei envergonhado de me sentir obrigado a simplificar palavras que a tradução poderia ter evitado a fim de comunicar uma verdade tão bela e essencial. Saí com um sentimento agridoce, pois vi que a versão que quase falava a minha língua -- porque o dicionário também frequentava nossa roda de amizade -- não falava a língua de muitas outras pessoas, principalmente das mais necessitadas. Eu estava num gueto e não sabia.

Desde então, apesar de conviver com minha "versão de cabeceira" em casa e no púlpito, tenho usado outras versões para evangelismo e também nas atividades da igreja, mesmo vendo algumas pessoas que torcem o nariz para novas traduções, e até mesmo uma visitante -- que não sei de onde raios saiu -- para mandar meu melhor amigo jogar uma paráfrase dele no lixo em plena Escola Bíblica Dominical.

Se nossas Bíblias não falarem a língua no povo (como Deus costumava falar), vamos esperar pacientemente que os de fora se acomodem ao nosso grupo de amantes de preciosismos linguísticos sagrados anacrônicos e carente de comunicação fluente, para, só então, descobrirem a (nossa "hermética") palavra de Deus.

20 de novembro de 2010

Fábrica de Monstros


Semanas atrás, o SBT exibiu uma matéria que tratou de uma menina conhecida por “missionarinha”, que, supostamente, curava pessoas num templo comandado por seu pai, que dizia-se “pastor”. Na reportagem, via-se claramente uma criança utilizada e moldada segundo o modelo imposto e emulado por pessoas religiosas e ávidas por sinais e maravilhas (e dinheiro também?) de que Deus a usaria para realizar prodígios de cura. A criança, em entrevista, dizia perante as câmeras que era “feliz”, que “gostava” do que fazia e que era “uma criança normal”, com um discurso quase que mecânico programado.

O pior de tudo o que foi exibido é que, depois de os declarados instantaneamente “curados” irem à frente – para o êxtase geral dos fiéis que lotavam o templo e, na certa, o gazofilácio daquele ministério também – pudemos observar tristes resultados: uma grande piora no quadro clínico de uma senhora que tinha esporões nos pés, sofria grandes dores e não podia andar direito; e o falecimento de um rapaz por complicações de um câncer que atingia os órgãos internos, que lhe causava dores abdominais e que o havia motivado a buscar sarar-se.

Coisas assim têm um impacto arrasador na fé das pessoas e no testemunho cristão. Assim, entrevistado por Roberto Cabrini, âncora do programa, que buscava explicações para essas sessões de curas que não davam certo, o pastor culpou a fé das pessoas, buscando afastar de si parte da responsabilidade pelas melhoras que não ocorreram. Foi de uma infelicidade funesta. Entretanto, isso não se trata de um evento isolado, mas de algo que já virou "feijão com arroz" no meio dito “evangélico”.

Mas o que tem causado essa busca desenfreada por milagres? De um lado há pessoas carentes que não têm mais a quem recorrer por não terem atendidas as suas orações e buscam qualquer coisa em que se apegar; de outro, pessoas que sabem utilizar essa situação em benefício próprio, incentivando a convicção de que todos obterão tudo o que querem, ignorando e deixando os outros ignorarem os desígnios soberanos de Deus para cada pessoa. Ainda existem aqueles que querem milagres como condição para crer e aqueles cuja fé só se sustenta por aquilo que vê. Temos um sistema de impiedade quase perfeito.

(Alguém aí se lembra dos fariseus que exigiam milagres de Jesus e foram repreendidos por ele? E dos adoradores das bestas prodigiosas do Apocalipse? E dos alertas quanto aos falsos profetas e falsos cristos que fariam sinais para enganar as pessoas? É importante lembrar que "cristos" significa "ungidos". Logo, prezada galera do "não-toqueis-nos-meus-ungidos", nem todo "ungido de Deus" é, de fato, um ungido de Deus, ok? Existe charlatanismo também e sintam-se devidamente alertados por Jesus!)

Há meio que um círculo vicioso em tudo isso, visto que a “fé” (não me refiro aqui à fé bíblica, mas à crença de que tudo vai ser como queremos se tivermos força de vontade: uma filosofia parecida com aquela do livro “O Segredo” que já se instalou há muito tempo no seio de algumas comunidades da igreja) se torna uma droga moral que causa dependência:

“Eu vou à igreja porque Deus vai fazer milagres”, não para escutar a palavra de Deus, servir ou ter comunhão com os irmãos; “eu vou contribuir porque eu quero restituição, quero muito mais do que eu dou”, não porque eu me sinta grato pelo que Deus me deu, pelo que tem feito em minha vida; “eu participo da obra de Deus porque vejo o poder de Deus agindo maravilhosamente”, não porque tenho obrigação de obedecer e servir, ou porque serviço deva ser algo que se brote naturalmente de um coração transformado por Deus; “eu contribuo, participo de campanhas e frequento os cultos porque, se não o fizer, eu posso ser castigado, empobrecido, amaldiçoado ou ver minha situação piorada, também porque eu posso ser mal visto pelos outros crentes e repreendido ou censurado pelo pastor”; “eu espero milagres do jeito que eu quero e quando eu quero justamente porque contribuí e cri, porque já paguei a Deus adiantado” (leia-se: “dei dinheiro à igreja ou aos líderes humanos dela” – vulgo: “semeei”, “plantei uma semente”); “eu não aceito um 'não' como resposta porque agora eu sou ‘filho do Rei’ e ‘decreto’, tenho ‘direitos a exigir’”, não porque o Rei é soberano e eu não, não porque o Rei é Senhor e eu servo...

E assim vamos rolando na esteira de uma linha de produção ideológica de “monstros”, que se autoalimenta de sua própria ambição e orgulho. Monstros criados e mantidos assim não podem ser comparados à igreja de Cristo porque não expressam o caráter e o espírito de Cristo ou de seus discípulos. Os discípulos de Cristo sempre estiveram junto dele por quem ele era, e não apenas pelo que ele fazia. O que ele fazia apenas testificava de quem ele era: o Salvador prometido por Deus, não um milagreiro errante ou um mágico de rua, digo, "de templos". Todavia não é essa a mentalidade que parece prevalecer no meio evangélico. E isto me assusta horrores!

Hoje temos um clube de viciados em sinais, de caçadores de recompensas, vampiros espirituais, mercenários que não se preocupam em arriscar a própria alma... O que me traz à lembrança que...

“Tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” – 1 João 2.16,17.

E que os crentes em Deus (e ilustre-se Deus aqui como: “um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas” + ”um terremoto”  + “um fogo” – 1Reis 19) não estão preparados realmente para crer em Deus (e ilustre-se Deus aqui como: “uma voz mansa e delicada” que diz “Que fazes aqui?”; Ou mesmo como “...O meu escolhido [de Deus]... [Que] promulgará o direito para os gentios. [Que] não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. [Que] não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; [Que,] em verdade, promulgará o direito. [Que] não desanimará, nem se quebrará até que ponha na terra o direito; e as terras do mar aguardarão a sua doutrina.” – trechos de 1Reis 19 e de Isaías 42).

O que temos é mais uma multidão que quer encher a barriga de pão e peixe enquanto deixa os aflitos e feridos de lado e que não poderá resistir ao ouvir o Senhor dos senhores dizer-lhes: “Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes... O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas há alguns de vós que não crêem... Quereis vós também retirar-vos?” – João 6.

Dificilmente encontraremos os bem-aventurados que após ouvirem algo assim dirão: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.” – João 6.

Será que vamos ter que sair mesmo peregrinando por aí com uma lanterna procurando aqueles que, mesmo no sofrimento e nas maiores dificuldades da vida, sorrirão de felicidade e de gratidão ao Mestre, que, tomando-lhes pelas mãos, sussurra... “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”? – 2Co 12.9.

Se depender do que estamos vendo na prática, porque a lei da oferta e da procura está incentivando a produção de monstros e da "fé monstruosa" a pleno vapor, algum cristão aí me empresta algumas pilhas, por favor?


Por Avelar Jr.

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