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26 de setembro de 2012

Já não se fazem mais profetas como antigamente


“Sim, estou contra os que profetizam sonhos falsos", declara o Senhor. "Eles os relatam e com as suas mentiras irresponsáveis desviam o meu povo. Eu não os enviei nem lhes autorizei; e eles não trazem benefício algum a este povo", declara o Senhor.” – Jeremias 23:32

Dia desses conversamos na escola dominical sobre os problemas que os “profetas” atuais causam no meio cristão, considerando que o uso desse termo, todo revestido de autoridade, encontra-se bastante desgastado entre os evangélicos, levando a equívocos e desvios doutrinários.

Profeta Jeremias, de Michelângelo
Para começar, precisamos conceituar o que seria um “profeta”. Basicamente existem dois tipos: aqueles a quem a vontade de Deus era revelada, que foram guiados a serem suas testemunhas junto ao povo de Israel, transmitindo-lhes revelações, que incluíam alertas, condenações, encorajamento e previsões de acontecimentos futuros, que foram registrados na Bíblia. Também existem os profetas encarregados de falar em nome de Deus, como meras testemunhas, proclamadores da palavra que já foi revelada antes, sem nenhuma previsão futurista. Nesta acepção, todo crente nascido de novo é um “profeta”, pois deve testemunhar de Jesus, fazendo discípulos e transmitindo-lhes seus ensinos.

Hoje em dia, é comum demais falar-se em “profecias”, ainda que não haja nelas nada de relevante e verdadeiro a se comunicar. E, olhando de perto, várias delas falham em se ajustar aos padrões descritos nas Escrituras, em matéria de veracidade, doutrina e testemunho.

Na Bíblia, percebemos que os profetas nunca foram conhecidos ou julgados pelos bens materiais que possuíam. E, em geral, ao contrário dos muitos intitulados “profetas” de nossa época, que ostentam patrimônios bem superiores aos de seus correligionários, eram pessoas pobres, simples, trabalhadoras, que não detinham cargos elevados, eram submissos a lideranças, participavam ativamente dos eventos importantes do seu povo, não negociavam seus serviços, viviam em comunidades, alguns eram celibatários, não detinham legiões de admiradores e não se omitiam em condenar os erros cometidos por seus governantes – mesmo que isso pudesse lhes custar os bens, a reputação ou a vida, como fez Natã, Samuel e João Batista. Contrariamente, a geração “profética” de hoje usa seus talentos e oportunidades junto às autoridades do país, com as quais flertam, imiscuindo-se na política e no poder estatal, bajulando detentores de cargos públicos e pessoas famosas de seu interesse, com o intuito de ganhar reconhecimentos, honrarias ou algum lucro, como fez Geazi (2 Reis 5).

A coragem dos profetas de antigamente era tal que chegavam a encarar sua missão mesmo sabendo que ela não traria conversões em massa, como no caso de Jeremias, que foi testemunha em franca oposição ao povo ímpio de seu tempo, sendo alertado por Deus que este não iria se converter (Jeremias 7.27). Sendo assim, não podemos esperar que alguém fosse profeta por vontade própria ou, ainda, que fosse auferir lucros com sua atividade, quando esta era uma atividade que trazia antipatia da sociedade ao redor. O profeta exercia um ministério legítimo, decorrente da autoridade de Deus, da obediência à sua palavra, com o dever de proclamar a verdade desprezada pelas massas, tomando posição e sabendo que nem sempre trará números vistosos de pessoas aos apriscos celestiais.

Houve tempos em que Deus não levantou profetas, como antes do início do ministério de Samuel, onde a profecia era rara (1 Sm 3.1); e no período intertestamentário, conhecido como o período do “silêncio profético”, que se estendeu até a vinda de João Batista. Estes porta-vozes dos oráculos divinos sempre traziam consigo uma mensagem importante da parte de Deus para todo o povo, uma revelação da vontade divina.

Nem todos os profetas operavam milagres; João Batista, por exemplo, não realizou nenhum, mas foi considerado o maior dentre os nascidos de mulher, nas palavras de Jesus Cristo (Lucas 7.28). Daí percebemos que tampouco os milagres são fator determinante da importância de seu ofício.

Ninguém precisa vasculhar muito os vídeos postados na internet para comprovar que muitos “ministros” se utilizam de alegadas “revelações” dadas em causa própria, a fim de se defender de críticas fundadas aos seus “ministérios”—principalmente após condutas suas que escandalizam setores do povo de Deus que realmente se preocupam com o bom testemunho dos de fora, e com a imagem do evangelho (e que geralmente são tachados discriminatoriamente de “religiosos”, como se ser religioso fosse uma coisa desabonadora ou vexatória). Não contemplo, no entanto, os profetas de Deus nas Escrituras lamuriando-se como crianças mimadas ou utilizando-se de revelações com fim lucrativo direto ou indireto. Parece-me claro que as revelações eram dadas no interesse de Deus ou de Seu povo, não no interesse exclusivo do próprio profeta.

Se era tão difícil se levantar um profeta entre o povo de Deus que recebesse um oráculo divino na época do Velho Testamento, levando em conta a necessidade (porque a Bíblia não estava pronta e não tinha o formato atual, portanto, a palavra de Deus não era tão acessível ao povo como hoje) – e, mesmo no Novo Testamento, não se vê muito falar em profetas como pessoas tão extraordinárias... Por que hoje, com o pleno acesso que temos às Escrituras, que contêm toda a revelação necessária para o conhecimento do evangelho, da vontade de Deus e de como viver uma vida piedosa, Deus estaria levantando profetas para fazer o que vemos hoje?

E a que me refiro quando digo “o que vemos hoje”? Creio que nunca antes o ego humano conseguiu parir um enxame dessa magnitude, com tantas pessoas que se acham importantíssimas e “profetas” (algumas talvez se achem até essenciais ou messiânicas); que alegam ser detentoras de “revelações”; muitas das quais, quando não são coisas reveladas há séculos nas Escrituras, tratam-se de coisas óbvias, desimportantes, patéticas e descabidas.

Engraçado que, ao contrário do que acontece hoje, os profetas das Escrituras, parece-me, não viviam profetizando e recebendo oráculos vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana, despejando verborragias divinas. É o caso, por exemplo, de Jeremias, Ezequiel, Isaías e Daniel, os quais até registravam a data de algumas revelações ou visões recebidas, tipo: “nos dias do rei fulano de tal”, “no sétimo mês do ano tal”, “no décimo-terceiro ano do reinado de beltrano”...

Há pretensos ministros hoje que se gabam de ter revelações enquanto tomam banho, lavam o cachorro, jogam o lixo fora, enquanto, sei lá, fazem as necessidades... dizem que o “Espírito Santo” vive cochichando no ouvido... quase de cinco em cinco minutos! É tanta revelação se atropelando e caindo por cima uma das outras, que é quase como se tais profetas chegassem ao cúmulo de se ter de organizar os momentos “revelacionais” por ordem de chegada: “Dona Visão, aguarde aí só um minutinho na linha 2, é que estou ocupado recebendo a Senhora Revelação agora. Por gentileza, peço que aguarde, pois seu contato é muito importante para todos nós; e, em seguida, queira, por favor, avaliar a qualidade do nosso atendimento...”. Eu imagino a abundante maturidade de alguém que depende de revelações a cada minuto para poder viver a vida... E para guiar outras vidas?

E o pior é que os conteúdos são tão superficiais e sem substância para a vida prática da igreja cristã, do país... que eu não consigo associar tais coisas com pessoas sérias (imagine eu acreditar que vêm de Deus!). Essas “pérolas” oscilam entre coisas como “com que bota eu vou”, “que demônio vamos expulsar”, “onde a gente unge a calçada”, coisas incompletas... Não raramente, além do ridículo, vêm as heresias e os escândalos causados, que dividem opiniões dentro da igreja desnecessariamente... E quem lucra com coisa assim?

Penso, ainda, que alguns ministros evangélicos que alardeiam suas composições como “reveladas por Deus” pretendem, muitas vezes, criar certa aura de incontestabilidade, de inquestionabilidade, louvor que não é fruto de mérito, para evitar que suas canções, apresentações, letras, melodias ou ensinos, por vezes medíocres, sejam alvos de avaliações desfavoráveis por parte de quem encontre nelas algum desvio doutrinário, ou mesmo de quem não considere sua obra algo recomendável. Nesse caso, a alegada “inspiração divina” não passa de meio ardiloso para encobrir falhas e incompetência. Pois quem ousaria questionar uma coisa "vinda de Deus”? Na certa, a razão de quem segue estilo de vida assim se encontre no amor próprio, não na espiritualidade cristã; pois esta busca a sabedoria e a correção, a fim de alcançar a maturidade plena e a glória de Deus, encontrando no temor do Senhor o princípio da sabedoria.

Convém ressaltar, inclusive, que alguns defendem a autoridade de supostos profetas apenas pelo fato de que falam em nome de Deus. Mas este não é um critério suficiente. Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, é claro em afirmar que as profecias devem ser provadas, oferecendo-nos alguns critérios; Jesus adverte que muitos virão em seu nome; Paulo diz que lobos vorazes sairiam do nosso meio (do meio da igreja). Logicamente um desses critérios de avaliação é o de que Deus não pode se contradizer. É um critério lógico. Ou Deus negaria a Si mesmo. Logo, é responsabilidade de todos nós conhecermos as Escrituras, que testemunham de Jesus e trazem as ferramentas necessárias para que sejamos obreiros perfeitos, aprovados por Deus, para que possamos julgar as profecias, obedecendo a Ele. (Também vale a pena ver alguns critérios para conferir a verdade de um profeta ou profecia em Deuteronômio caps. 18 e 13).

Algo que também precisa ser dito é que alguns crentes baseiam sua fé no princípio errôneo de que os fins justificam os meios. Ou seja: deu certo ou parece certo o que disse alguém, tal pessoa é, de fato, de Deus. Para exemplificar, lembro-me de que uma vez discutindo com um irmãozinho raivoso em uma comunidade no Orkut, ele me disse que apenas pessoas de Deus poderiam profetizar em nome dele. Mas ele nada disse depois que lhe mostrei que Balaão (que alude a um sinal do nascimento de Jesus, em Números 24.17) e Caifás (que profetizou a morte de Jesus pela nação dos judeus em João 11.49-51), os quais não eram pessoas que andavam segundo a vontade de Deus, profetizaram a respeito de planos d’Ele.

Algo que me assusta na avalanche de “profecias” que tenho visto é o excessivo otimismo que elas trazem e a ingenuidade com que contam para vingar. Sem contar a desconsideração pelos princípios mais basilares do evangelho, e a falta de resultados úteis e palpáveis também, como: 
  • as “profetadas” de várias celebridades gospel do fim do Carnaval (que, infelizmente, segue “bombando”); 
  • a veiculação de novelas gospel na TV (para entreter crentes empolgadinhos que pensam que as pessoas assistem a novelas para serem “evangelizadas”? Para massagear o ego dos crentes/denominações evangélicas, que podem se promover, vender sua marca institucional e lucrar com isso? Na maior parte do tempo a programação evangélica na TV tem sido vexatória, não mostrando de nada mais do que a mera exploração financeira de incautos.); 
  • oferecimento de mechas de cabelo como sacrifício pelos pecados, como se o sacrifício de Jesus na cruz não tivesse valido nada (e, não bastasse a bizarrice, de pecados de pessoas vivas e falecidas); 
  • a investida massiva da mídia pelos evangélicos (isso nem é profecia, é uma obviedade: se o número de evangélicos aumenta, a audiência segue, logo, seu tempo na TV acompanha o seu crescimento para poder atendê-los. E já faz tempo que existem horários comprados por igrejas na TV, que dão audiência. E alguém já contou quantas rádios evangélicas existem?); 
  • números exorbitantes de conversão a igrejas evangélicas por meio de... evangelização? Não, de “atos proféticos”! (“atos proféticos”, para quem não conhece o termo, é uma espécie de “simpatia”, “macumba gospel” – ver nota com algumas definições extraídas de um dicionário no final do texto – que, por mais que queiram definir com termos bíblicos e bonitinhos, não deixam de ser tentativas de influenciar Deus a mudar a realidade através de rituais simbólicos. Para acreditar nisso, você deve supor que Deus não acha suficiente que a gente ore e trabalhe para alcançar algo, que as pessoas se convertem pelo simples desempenho humano, que Deus é caprichoso, volúvel e influenciado a executar a própria vontade quando se praticam “atos proféticos”... Não vejo lógica alguma nisso hoje, pois torna o Deus soberano uma ferramenta eclesiástica. Já me mostraram supostos "exemplos bíblicos de atos proféticos", mas, ou eles são meras ocasiões em que alguém simplesmente obedece a uma ordem dada por Deus a fim de testemunhar simbolicamente algo que já está determinado para acontecer, ou outra coisa. Já disseram que a Santa Ceia é um exemplo de "ato profético", mas, na verdade, é uma "ordenança", um ritual; ela não transforma a realidade. Só seria "profética" no sentido de testemunhar a morte de Cristo; mas se fosse "profética" por ser assim, cultos, ordenanças, cantos, tudo viraria exemplo de "ato profético", difícil seria ter algo que não fosse um...); 
  • crentes urinando em postes e lugares estratégicos, como fazem os cachorros, ou ungindo-os, a fim de “demarcar território para Deus”; 
  • mudança dos elementos da ceia (que foram instituídos pelo próprio Cristo, e constam na Bíblia);
  • expulsão de entidades do candomblé de existência duvidosa (digo isto porque acredito que nem os próprios adeptos desta ou de outras religiões assemelhadas devam crer na existência de “entidades” que os crentes inventam e lhes atribuem, para poder anunciar que vão exorcizá-las)...

Certamente haverá leitores ao ler esse texto e vão pensar “nossa, os crentes hoje estão assim?!” Não, caro leitor, claro que não! Acontece coisa assim no meio dos evangélicos, sim; porém, são eventos bastante isolados, que ganham repercussão na mídia por serem polêmicos e sensacionalistas. Nada dessas esquisitices tem a ver com o evangelho. Mesmo que usem termos e roupagem evangélica; mesmo que venham de pessoas que se digam evangélicas; mesmo que aconteça em templos e eventos que se digam evangélicos. Evangélico de verdade é quem vive o que Jesus ensinou, não todo aquele que sai dizendo que é; pois, quem tem boca diz o que quer. Estão aí os falsos profetas que não me deixam mentir. E os verdadeiros também.

Sim, retornando à pergunta que fiz anteriormente: “por que hoje, com o pleno acesso que temos às Escrituras, que contêm toda a revelação necessária para o conhecimento do evangelho, da vontade de Deus e de como viver uma vida piedosa, Deus estaria levantando profetas para fazer o que vemos hoje?” Deixo-lhes com duas passagens bíblicas:


“Em primeiro lugar, ouço que, quando vocês se reúnem como igreja, há divisões entre vocês, e até certo ponto eu o creio. Pois é necessário que haja divergências entre vocês, para que sejam conhecidos quais dentre vocês são aprovados.” – 1 Coríntios 11:18-19 NVI

“Se aparecer entre vocês um profeta ou alguém que faz predições por meio de sonhos e lhes anunciar um sinal miraculoso ou um prodígio, e se o sinal ou prodígio de que ele falou acontecer, e ele disser: "Vamos seguir outros deuses que vocês não conhecem e vamos adorá-los", não dêem ouvidos às palavras daquele profeta ou sonhador. O Senhor, o seu Deus, está pondo vocês à prova para ver se o amam de todo o coração e de toda a alma.” – Deuteronômio 13:1-3 NVI
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Extraídos do dicionário Míni HOUAISS:

Simpatia - B. prática supersticiosa us. como proteção ou para conseguir algo.

Magia - arte, ciência ou prática de produzir, por meios ocultos, fenômenos inexplicáveis ou que pareçam inexplicáveis; 2. p. ext. o efeito dessa arte ou prática;

Trabalho - 6. REL. em cultos afro-brasileiros, prática ritual que visa obter auxílio, proteção ou conquista de algum desejo.

10 de outubro de 2011

Neofilia: de bueiro em bueiro e rumo ao sumidouro

"Jesus perguntou, então, aos seus discípulos:
 —Vocês entenderam as coisas que eu acabei de dizer?
E eles responderam:
—Sim, entendemos.
E Jesus lhes disse:
—É por isso que todo professor da lei, quando aprende a respeito do reino do céu, se torna semelhante a um pai de família que tira de seu depósito tanto coisas novas como coisas velhas." -- Mateus 13.51-52, Versão Fácil de Ler.

Tenho um grande amigo aqui perto, e nos vemos sempre. Às vezes nos vemos online ou pessoalmente, mas nos vemos tanto que, ao perguntar pelas novas, sempre me dá suas velhas respostas-bordão, como "Nada é tão novo... nada é tão antigo", "As novas já estão todas velhas"... Eu prefiro dizer que estou sem novidades mesmo. Isso só ocorre porque sempre lhe pergunto pelas novidades, mesmo que o tenha visto há três dias. Às vezes eu acho que eu pergunto só para tentar adivinhar qual dos bordões ele vai usar em cada resposta... Amigos de muito tempo sempre têm diálogos recorrentes.

Enfim, estar em dia, quem não quer, não é? Meu navegador de internet, por exemplo, já abre no Google Notícias para, se eu quiser, acompanhar as últimas. Como em todo o mundo, a igreja também tem gente assim - e muita. Por vezes, parece até que só tem mesmo gente assim. Obviamente, alguns sabem tirar proveito dessa atitude no meio eclesiástico, que muitas vezes é igual ao dos atenienses: ócio constante, inclinação ao ego e busca das últimas novidades, sensações e emoções.

Escrevo isto porque fiquei estarrecido ao ler alguns artigos na internet noticiando que um tal ministro evangélico estrangeiro veio ao Brasil, patrocinado e anunciado por uma agremiação evangélica chique, para comunicar aos "brothers & sisters" daqui produtos supostamente sobrenaturais e vanguardistas, como "ativação profética", "liberação de destino", "novas unções": sobrenaturalezas e espiritualices mais.

Impressiona-me ver que, na busca por atrair público - e obviamente agregar um pouquinho de fama, poder, influência e alguns contos no bolso, alguém se dê ao trabalho de, usando Jesus como garoto-propaganda, inventar um monte de coisas que não existem, que nunca fizeram falta e que não têm utilidade alguma - nem teórica e nem prática, levando em conta que o apelo do novo mexe com a vaidade e a cobiça das pessoas, seja porque elas querem levar alguma vantagem sobre os outros, receber alguma informação privilegiada ou por outro motivo qualquer.

O apelo ao novo é algo tão explorado e fácil de fazer que vi algo assim, ontem mesmo: enquanto eu organizava uns livros na minha estante, ouvia representantes de um grupo religioso, num programa de televisão local, anunciando um evento (não reparei se era evangélico ou não. Embora eu creia que não; já que nem se falou do evangelho, e com muito custo se mencionou metade de um versículo. E eu não estava no mesmo cômodo em que a televisão para ver a imagem). Eles pareciam que realmente não tinham nada de importante a dizer ou a testemunhar com aquele evento. Repetiam sem parar as mesmas falas, e perdoem-me reproduzir a repetitividade deles aqui, porque estou apenas participando-lhes o que eles disseram: que "porque os jovens gostam de novidades...", "porque os jovens querem novidades...", "porque os jovens curtem novas sensações...", "porque os jovens querem vida..." Um milhão de vezes mencionaram as palavras "jovens", "novo", "sensações", "novas", "experiências", "novidades"... O engraçado é que era notório que a extrema falta de conteúdo dos religiosos combinava perfeitamente com a absurda falta de ter o que passar do programa televisivo. Sobrava tempo e faltava assunto (Ou eles pagaram por tempo de mais na TV para assunto de menos?). O que ficou da "mensagem", para mim, é que "se você é jovem e gosta de ficar sentindo coisas novas, aquele evento é um 'must' para você! Você vai sentir várias coisas! E o mais importante: são coisas novas! Ah... elas também são de 'Deus'".

Enfim, creio que isso apenas ilustra mais uma vez o que se vê naqueles cartazes vãos de anúncios de programações de igrejas que aparentemente deixaram, como propósito de sua existência, o testemunho do evangelho de Jesus Cristo (digo "aparentemente" porque creio que, em muitas dessas instituições, ainda há gente de Deus, mesmo que não fique evidente; e, porque, amiúde, o que mais avulta é o que há de pior, e o que causa mais impacto). 

Igrejas que deixam o evangelho para viver de novidades, como não têm mais razão de existir, subsistem apenas para atender à vontade das pessoas vazias que sustentam seu funcionamento. Pessoas estas que, como não têm no evangelho e no senhorio de Cristo uma âncora segura, uma Rocha e um Norte para a vida, seguem arrastadas pela correnteza da modernidade cada vez que um bueiro diferente é aberto; almas que têm, como filosofia e propósito, o frescor das emoções, das sensações e das informações que as vão tragando num sumidouro atraente, porém, fatal.

Curioso que o velho apóstolo Paulo, em epístola escrita aos cristãos da região da Galácia (porque eles estavam deixando a mensagem do evangelho da salvação - que é o poder e sabedoria de Deus manifestados na pessoa e na obra de Cristo na cruz - por obras da Lei de Moisés, que não podiam salvar), censurou-os mais ou menos assim: "Gálatas, seus malucos! Quem foi que enfeitiçou vocês?" [Gálatas 3.1]... Agora me sinto como ele parece ter se sentido ao escrever aquilo, com um misto de espanto e urgência sem tamanho, ao olhar para a igreja evangélica. Para a qual, simplesmente ouvir o evangelho, que nunca deveria deixar de ter sido sua essência, hoje realmente soaria como algo inédito: a grande novidade das velhas "boas-novas"!

E se sobram ministros malucos que não pregam o evangelho por amor a Deus - e já que nem mesmo o amor de Cristo os comove a fazer tal - que pelo menos o fizessem, não por amor ao dinheiro ou às pessoas, mas por amor... ao novo! Se eles não quiserem fazê-lo mesmo assim, queiramos nós! Não temos opção. Pois, como repetia o velho Seu Barriga vestido de garçom num episódio de Chapolim, em que levou muitas pancadas: "Estamos aqui pra isso!". E, como dizia um bom e sábio apóstolo, de quem sinto saudade tendo-o conhecido apenas de ouvir falar, o qual agora está descansando no andar de cima, depois de uma vida terrena marcada pela fidelidade exemplar, pelo fervor pelas imutáveis palavras da vida eterna e pela renúncia a tudo pelo Salvador e Senhor que o amou e que deu a  Sua própria vida por ele: "o amor de Cristo nos constrange".

Que o amor de Cristo, de fato, tome conta de nossas vidas e nos faça prosseguir, a todos, para vivermos e testemunharmos o indispensável e eterno evangelho, seja ele novo, seja ele velho!

"Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." - 2 Coríntios 5.14-15, NVI

20 de novembro de 2010

Fábrica de Monstros


Semanas atrás, o SBT exibiu uma matéria que tratou de uma menina conhecida por “missionarinha”, que, supostamente, curava pessoas num templo comandado por seu pai, que dizia-se “pastor”. Na reportagem, via-se claramente uma criança utilizada e moldada segundo o modelo imposto e emulado por pessoas religiosas e ávidas por sinais e maravilhas (e dinheiro também?) de que Deus a usaria para realizar prodígios de cura. A criança, em entrevista, dizia perante as câmeras que era “feliz”, que “gostava” do que fazia e que era “uma criança normal”, com um discurso quase que mecânico programado.

O pior de tudo o que foi exibido é que, depois de os declarados instantaneamente “curados” irem à frente – para o êxtase geral dos fiéis que lotavam o templo e, na certa, o gazofilácio daquele ministério também – pudemos observar tristes resultados: uma grande piora no quadro clínico de uma senhora que tinha esporões nos pés, sofria grandes dores e não podia andar direito; e o falecimento de um rapaz por complicações de um câncer que atingia os órgãos internos, que lhe causava dores abdominais e que o havia motivado a buscar sarar-se.

Coisas assim têm um impacto arrasador na fé das pessoas e no testemunho cristão. Assim, entrevistado por Roberto Cabrini, âncora do programa, que buscava explicações para essas sessões de curas que não davam certo, o pastor culpou a fé das pessoas, buscando afastar de si parte da responsabilidade pelas melhoras que não ocorreram. Foi de uma infelicidade funesta. Entretanto, isso não se trata de um evento isolado, mas de algo que já virou "feijão com arroz" no meio dito “evangélico”.

Mas o que tem causado essa busca desenfreada por milagres? De um lado há pessoas carentes que não têm mais a quem recorrer por não terem atendidas as suas orações e buscam qualquer coisa em que se apegar; de outro, pessoas que sabem utilizar essa situação em benefício próprio, incentivando a convicção de que todos obterão tudo o que querem, ignorando e deixando os outros ignorarem os desígnios soberanos de Deus para cada pessoa. Ainda existem aqueles que querem milagres como condição para crer e aqueles cuja fé só se sustenta por aquilo que vê. Temos um sistema de impiedade quase perfeito.

(Alguém aí se lembra dos fariseus que exigiam milagres de Jesus e foram repreendidos por ele? E dos adoradores das bestas prodigiosas do Apocalipse? E dos alertas quanto aos falsos profetas e falsos cristos que fariam sinais para enganar as pessoas? É importante lembrar que "cristos" significa "ungidos". Logo, prezada galera do "não-toqueis-nos-meus-ungidos", nem todo "ungido de Deus" é, de fato, um ungido de Deus, ok? Existe charlatanismo também e sintam-se devidamente alertados por Jesus!)

Há meio que um círculo vicioso em tudo isso, visto que a “fé” (não me refiro aqui à fé bíblica, mas à crença de que tudo vai ser como queremos se tivermos força de vontade: uma filosofia parecida com aquela do livro “O Segredo” que já se instalou há muito tempo no seio de algumas comunidades da igreja) se torna uma droga moral que causa dependência:

“Eu vou à igreja porque Deus vai fazer milagres”, não para escutar a palavra de Deus, servir ou ter comunhão com os irmãos; “eu vou contribuir porque eu quero restituição, quero muito mais do que eu dou”, não porque eu me sinta grato pelo que Deus me deu, pelo que tem feito em minha vida; “eu participo da obra de Deus porque vejo o poder de Deus agindo maravilhosamente”, não porque tenho obrigação de obedecer e servir, ou porque serviço deva ser algo que se brote naturalmente de um coração transformado por Deus; “eu contribuo, participo de campanhas e frequento os cultos porque, se não o fizer, eu posso ser castigado, empobrecido, amaldiçoado ou ver minha situação piorada, também porque eu posso ser mal visto pelos outros crentes e repreendido ou censurado pelo pastor”; “eu espero milagres do jeito que eu quero e quando eu quero justamente porque contribuí e cri, porque já paguei a Deus adiantado” (leia-se: “dei dinheiro à igreja ou aos líderes humanos dela” – vulgo: “semeei”, “plantei uma semente”); “eu não aceito um 'não' como resposta porque agora eu sou ‘filho do Rei’ e ‘decreto’, tenho ‘direitos a exigir’”, não porque o Rei é soberano e eu não, não porque o Rei é Senhor e eu servo...

E assim vamos rolando na esteira de uma linha de produção ideológica de “monstros”, que se autoalimenta de sua própria ambição e orgulho. Monstros criados e mantidos assim não podem ser comparados à igreja de Cristo porque não expressam o caráter e o espírito de Cristo ou de seus discípulos. Os discípulos de Cristo sempre estiveram junto dele por quem ele era, e não apenas pelo que ele fazia. O que ele fazia apenas testificava de quem ele era: o Salvador prometido por Deus, não um milagreiro errante ou um mágico de rua, digo, "de templos". Todavia não é essa a mentalidade que parece prevalecer no meio evangélico. E isto me assusta horrores!

Hoje temos um clube de viciados em sinais, de caçadores de recompensas, vampiros espirituais, mercenários que não se preocupam em arriscar a própria alma... O que me traz à lembrança que...

“Tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” – 1 João 2.16,17.

E que os crentes em Deus (e ilustre-se Deus aqui como: “um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas” + ”um terremoto”  + “um fogo” – 1Reis 19) não estão preparados realmente para crer em Deus (e ilustre-se Deus aqui como: “uma voz mansa e delicada” que diz “Que fazes aqui?”; Ou mesmo como “...O meu escolhido [de Deus]... [Que] promulgará o direito para os gentios. [Que] não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. [Que] não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; [Que,] em verdade, promulgará o direito. [Que] não desanimará, nem se quebrará até que ponha na terra o direito; e as terras do mar aguardarão a sua doutrina.” – trechos de 1Reis 19 e de Isaías 42).

O que temos é mais uma multidão que quer encher a barriga de pão e peixe enquanto deixa os aflitos e feridos de lado e que não poderá resistir ao ouvir o Senhor dos senhores dizer-lhes: “Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes... O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas há alguns de vós que não crêem... Quereis vós também retirar-vos?” – João 6.

Dificilmente encontraremos os bem-aventurados que após ouvirem algo assim dirão: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.” – João 6.

Será que vamos ter que sair mesmo peregrinando por aí com uma lanterna procurando aqueles que, mesmo no sofrimento e nas maiores dificuldades da vida, sorrirão de felicidade e de gratidão ao Mestre, que, tomando-lhes pelas mãos, sussurra... “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”? – 2Co 12.9.

Se depender do que estamos vendo na prática, porque a lei da oferta e da procura está incentivando a produção de monstros e da "fé monstruosa" a pleno vapor, algum cristão aí me empresta algumas pilhas, por favor?


Por Avelar Jr.

1 de julho de 2010

Evangélicos no meio da crise

Esses dias eu estive numa livraria evangélica da minha região. Ao passear pelas prateleiras cheias de ótimos livros, encontrei uma raridade: “Evangélicos em Crise”, de Paulo Romeiro. Eu já tinha lido ótimos comentários a respeito desse livro. Meu pastor o tem e me havia oferecido emprestado, mas nunca tinha me dado ao prazer de lê-lo.

Decidi comprá-lo porque sabia que o livro, além de recomendável, estava estalando de novo, era o último exemplar e eu sabia que já estava esgotado (já que a edição é de 1999). Eu conversei com o livreiro na ocasião e fiquei muito contente de saber que ele é uma pessoa esclarecida na fé, e que não adquire livros sabidamente prejudiciais à igreja – dava pra ver esse cuidado só de conferir as prateleiras. Pena que não é sempre assim nas livrarias, não é?

Para quem não conhece o livro, ele é uma continuação melhorada do “Supercrentes”, do mesmo autor. Esta obra também é ótima e de rápida leitura (eu havia lido anos atrás, emprestado por meu antigo pastor). Ambos tratam de apologética interna, ou seja, temas que servem de obstáculo, desvio da ortodoxia e incômodo para o evangelho e para a vida espiritual da igreja, e que – uma pena – partem de dentro dela própria!

“Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; e que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.” - Atos 20.28-30

Logo nas primeiras páginas, pude perceber a situação caótica por que a igreja evangélica brasileira já passava por aqueles tempos. Fiquei impressionado, confesso, pois converti-me em 1998 e o livro é de 1999 (4a edição)... Perguntei-me onde eu estava naquela época que não me dava conta de tudo aquilo que o autor mencionava no livro.

Graças a Deus, a guerra espiritual na igreja estourava e eu estava sorridente com Jesus, pedindo licença para passar pelo meio dos escombros que eu não via. Nessa época eu passava pela “lua-de-mel” da conversão, por aquele momento de deslumbramento e felicidade que subverte a vida impetuosamente, e que, infelizmente, um dia acaba. É quando você cai na real, que está no meio de um combate e não num parque aquático celestial.

Talvez fosse o efeito “slow motion” da “lua-de-mel”... Talvez fosse o cuidado de Deus para comigo mesmo: em não me permitir enxergar a terrível Matrix logo naquela época, sem estar pronto e alimentado apropriadamente para o baque de tristeza que a cena me traria.

Ok, de volta ao século XXI, lendo o livro, hoje, pude constatar, infelizmente, que a esperança do autor não se cumpriu. Quem alçava falsas profecias e pregava heresias destruidoras continuou se aperfeiçoando no seu mal e ajudando a\causar mais baixas entre os companheiros do evangelho da paz. Fiquei triste de ver que se a coisa parecia estar perto do fundo do poço naquela época, hoje está muito pior!

O que tivemos de aumento nas fileiras do movimento evangélico, estatisticamente falando, desde então, aparentemente, foi uma carga morta, um grande prejuízo para o testemunho, um gol da Argentina contra nós. Onde estamos errando se é fato que os números crescem?

Digo “aparentemente” porque sei que no meio de muito estrume, sempre há muita vida, e aquelas que saem no tempo certo. Pois no meio do estrume também se lançam sementes, com a semente também vem a fé, a luz de Deus, o crescimento e as flores – e as ervas daninhas que aguardam sua hora.

A igreja está aí. Pode até ser difícil de enxergar, duro de reconhecer, mas Deus está cuidando de nós. E nós devemos tomar parte nisso e cuidarmos uns dos outros.

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” Mateus 28.19-20

“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” - Judas 3

27 de junho de 2010

Cavaleiros do Zodíaco

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." - João 1.14

Dia desses abri o Yahoo!, e, como matéria de capa, havia algo sobre mapa astral, coisa tipo sol com Era de Peixes etc. Logo, logo, eu poderia dizer "nada mais 'gospel'!"... Exagero meu? Nem tanto. Pelo menos se levarmos em conta o que se fala em algumas igrejas hoje.

É verdade que quando as pessoas deixam de olhar para Cristo e servi-lo, começam a seguir modas como astrologia, numerologia, dentre outras marmotas "para garantir o sucesso". O negócio é ainda mais tosco quando tem uma maquiagem gospel, porque contagia, causa frisson nos empolgadinhos com novidades.

Depois "os crentes" se acham no direito de condenar os adeptos de outras religiões/filosofias por fazerem a mesma coisa, ou seja, confiar nas leis astrais e não na palavra de Deus.

Ouvi há muito tempo de uma amiga: "Irmão, este vai ser um ano de bênção porque é dois mil e sete! Sete é perfeição! Tome posse!". E eu pergunto: Qual é a diferença disso para a fé dos pagãos que vivem de superstições, nunca ouviram falar do Salvador, e vivem à mercê de ano do macaco, do galo...? Parece que hoje, mais do que nunca, temos um campo missionário bem próximo: a Igreja! 


A propósito, alguém na sua igreja já ouviu falar de um tal Jesus que é a Verdade que liberta? Se não, entre em contato com o evangelho urgentemente!

Interessante foi a numerologia-cabalística-gospel empregada por uma banda evangélica num programa de TV. A vocalista disse no ar que abriu a Bíblia no livro de Esdras (ou terá sido Neemias? Sei lá!), depois de uma oração, e entendeu que Deus estava dizendo para ela o dia para a gravação do CD: 7 de julho de 2007 (07/07/2007), por causa de um número de dias lá descrito em que reconstruíram a muralha de Jerusalém -- com certeza Deus escreveu a passagem só pensando no CD deles e em quantas cópias eles iriam vender com essa historinha, só não tinha avisado para as coitadas das outras bandas evangélicas... 

De exagero em exagero, de moda em moda, de gafe em gafe, de cegueira em cegueira, o mundo gospel completa seus rápidos ciclos em torno de si mesmo e dos que o alimentam ideologicamente; e, nos dizeres de Salomão, "nada de novo existe debaixo do sol."

"...E o misticismo se fez 'gospel' e habitou entre nós. E vimos a sua parvalhice, como se fosse o último oráculo de Delfos, cheio de bobagem e futilidade."


"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." - João 8.32


"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas." - 2 Timóteo 4.1-4

4 de janeiro de 2010

A Intimidade e o Sinal Amarelo - Parte 2

Há no meio evangélico um movimento de pretensa “intimidade” que por vezes me deixa de cabelo em pé por sua irreverência, imaturidade e insensibilidade na adoração e comunhão. Comportamentos excêntricos, distorções de expressões e ensinos bíblicos que levam a práticas libertinas, músicas com conotações sexuais tratando Deus como esposo nosso e nós como sua noiva...



Mas o que há de mal nisso? Simples, por exemplo: Deus nos trata (indivíduos) como filhos, amigos e servos, jamais como cônjuge. Jesus não nos trata como suas “esposas”, “noivas”, “amantes”, e isso é de longe suficiente para entendermos a forma como Deus nos ama, pois Jesus é a perfeita expressão do Pai, e nele não encontramos ecos dessa erotização da adoração que vem sendo popularizada por certos cantores e compositores gospel.

Então, eu vejo essa “conjugização” de Deus por parte de indivíduos como ultrapassar o sinal amarelo, exibicionismo de “espiritualidade” e falta de reverência (para não falar que o objetivo de algumas dessas músicas é, simplesmente, que sejam tocadas em rádios seculares, porque por vezes você não distingue se o cantor fala de Deus ou de sua namorada). Pois Deus, na Bíblia, trata, figurativamente, como cônjuge:

a) o povo de Israel (uma coletividade);
b) Jerusalém e a Nova Jerusalém (uma cidade, uma coletividade);
c) e a igreja (uma comunidade).

Também merecem menção aqueles “íntimos” que dão ordens a Deus como se ele fosse seu cachorro: “Eu determino que você...”, “Eu decreto que...” ...E Deus é que tem que obedecer aos caprichos deles! Isso não é de modo algum intimidade, isso é irracionalidade e pecado.

E tem aqueles... que agem como se tivessem uma procuração em branco de Deus para entregar profetadas de sua própria vontade, conceder e pregar unções que não existem e negociar pedaços do céu; os que imitam animais como se Deus nos quisesse para bestas e não para seres humanos feitos à sua perfeita imagem; os birrentos e dengosos que veem Deus como o pai babaca que adora ver filhos chorões e imaturos fazendo birra nos corredores dos supermercados ao pedir algo...

Assim, o ideal é que a nossa forma de nos relacionarmos com o Senhor dos Exércitos e o Rei em nossa vida, no nosso culto diário e congregacional, tenham a reverência devida, a sabedoria e a inteligência de sabermos com quem estamos lidando e o que ele espera de nós; mas sem a perda do carinho e do amor pelo nosso Salvador, Amigo e Pai, em quem devemos nos espelhar.

Respeito para quem merece respeito não diminui nossa intimidade, é uma obrigação. E o amor a Deus e ao nosso próximo é sempre devido. Intimidades, porém, são coisas particulares, privadas, e é até bom que permaneçam assim.

30 de outubro de 2009

"Unção do Chulé"


Esse vídeo foi objeto de discussão numa comunidade do Orkut há algum tempo, a "Não Aguento Mais mantra Gospel".

Após assisti-lo, alguns irmãos comentaram:

"Essa atitude foi de inteira zombaria às pessoas presentes ... muitos q estão ali merecem isso (...)"

"Se eles [DT] quisessem realmente demonstrar algo honesto, a APV lavaria os pés de alguém da platéia."

"Isso é nojento. Do ponto de vista teológico, quanto do ponto de vista higiênico."

Pensei o mesmo quando vi. Quanta imundícia travestida de espiritualidade cristã! Ainda mais utilizando a imagem de um evento tão belo da Bíblia como aquele em que Jesus, o Senhor de todas as coisas, lava os pés de seus imaturos discípulos! Com essa atitude, ele ensinou, na prática, que devemos ser servos de todos, como ele o foi, imitando o exemplo dos escravos que lavavam os pés dos visitantes de uma casa da época.

Mas os integrantes da banda é que têm os pés lavados nessa encenação de "ato profético", o contrário do que Jesus ensinou. No fim das contas, o vídeo merece mais alguns comentários:

1. os feridos pela religião são eles mesmos, que querem ser uma geração apostólica que não podem ser, ao invés de se contentarem em ser simplesmente cristãos, até porque os apóstolos já morreram há muito tempo e deixaram o firme fundamento no qual eles não parecem se firmar;

2. eles falam sobre feridas causadas pelas críticas e juízos mas são os primeiros a não as ouvirem, para ver se elas têm ou não razão de ser, exigindo-lhes mudanças, a tal cura seria só um "Ai, eu estou triste porque me criticam, mas eu não estou nem aí, vou continuar fazendo o que faço, só não quero ficar chateado com isso" (Que cura conveniente, hein?);

3. o "profeta" não entende nada de Bíblia e mistura várias passagens de Gênesis a Apocalipse dando-lhes sentidos questionáveis;

4. o congresso chamado "de Louvor e Adoração" parece ser de louvor e adoração a eles próprios, uma vez que eles se colocam como representantes do povo que se sente ferido pela crítica quando nem todo mundo é tão sucetível a qualquer crítica como eles, que só podem ser elogiados;

5. a profecia não se cumpriu, porque, se eles dizem que aquilo é obra de Deus e por causa daquele ato profético não haveria mais tropeço para a obra de Deus, daí para cá só o que houve foi tropeço e escândalo, incluindo o ato em si, a questão é que sempre haverá escândalos, mas nada vai parar a igreja, contra quem as portas do inferno não podem prevalecer;

6. aquelas águas são "apostólicas" de onde? Da torneira da casa do apóstolo Paulo? Da bacia de lavar roupa da casa de João? Do pote pra fazer a faxina da "casinha" atrás da casa de Pedro? E qual seria mesmo a utilidade prática de uma "água apostólica"?

7. eles não têm poder de firmar pé de ninguém em rocha nenhuma porque nem eles próprios demonstram estar em rocha alguma, pelo contrário, são levados por todo vento de doutrina e nem parecem saber para onde vão, vivendo de visões contraditórias, moveres que não batem com as Escrituras, atos proféticos malucos e coisas do tipo, e até a algumas passagens que eles citam corretamente dão um tom que faz até parecer que é coisa nova (mas podem mesmo ser coisa nova para eles, não é?);

8. a igreja desde o princípio prevaleceu contra as portas do inferno, se não Cristo teria mentido, não vai ser dali que vai começar;

9. eles não podem conceder "rio de Deus" a geração alguma porque o rio de Deus estará na Nova Jerusalém, saindo do trono de Deus e do Cordeiro, e o Espírito Santo (que é figurado por "rios de águas vivas") é concedido pelo Filho, não por "profetas" que misturam passagens bíblicas (Jo 4.10; 7.38; Ap 7.17; 21.6; 22.1);

10. E por fim, mas não menos triste, veja que quando a água suja que lavou os pés dos artistas está sendo lançada contra a platéia que assiste essa marmota toda com a baba escorrendo nos beiços, o "profeta" grita "Receba o Rio de Deus!" E eu, então, pergunto: Por acaso o "Rio de Deus" é a água com o grude dos pés dos artistas desse show? Até como simbolismo é decadente e repugnante! É por isso que eles fazem todo esse frenesi e chororô sem lágrimas? Se é tão boa e santa essa água, por que eles mesmos não a beberam ou tomaram banho com ela, mas a lançaram na cara do povo depois de sujá-la com os pés?

Dá para entender agora por que eu me recuso a apoiar ou participar de certas coisas evangélicas? Muitas delas, além de não expressarem a fé que uma vez por todas foi entregue aos santos, são mais nocivas que proveitosas para os cristãos, conduzindo-os a enganos e desvios. Mas, mesmo assim, creio que podem ser usadas por Deus, além de serem bastante aproveitadas pelo diabo, que adora misturar a verdade da palavra de Deus com mentiras e distorções, como ele fez no Éden.

Congresso de quê?! Não, Obrigado! Prefiro ter comunhão com a igreja e ler a Bíblia mesmo.

- Editado para correções em 15/12/2012.

20 de setembro de 2009

As sete maravilhas do mundo "evangélico"

Por Ciro Sanches Zibordi

Em julho de 2007, o Cristo Redentor foi eleito uma das sete maravilhas do mundo! O símbolo do Rio de Janeiro, que acolhe a chegada de turistas do mundo todo à chamada cidade maravilhosa, assumiu seu lugar na nova lista de Maravilhas do Mundo ao lado de seis outras obras: a Grande Muralha da China; a cidade helenística de Petra, na Jordânia; a cidade inca de Machu Picchu, no Peru; a pirâmide de Chichen Itzá, no México; o Coliseu, antiga arena de combates em Roma; e o túmulo do Taj Mahal, na Índia.

Mas, você sabia que existem também as sete "maravilhas" do mundo "evangélico", isto é, as que mais fascinam boa parte das pessoas que dizem servir a Deus, na atualidade? Quais são elas?

PROSPERIDADE

Esta, sem dúvida nenhuma, está em primeiro lugar, apesar de o Senhor Jesus ter dito: "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça..." (Lc 12.13-31). Dizem os super-pregadores e cantores-ídolos: "Muitos criticam quem fala de prosperidade. Mas eu não falo sobre prosperidade; eu vivo prosperidade. Eu não ando mais de fusquinha; tenho tudo do bom e do melhor. Se você quiser ser como eu, passe a ofertar sempre com a maior nota que tiver em sua carteira". Fazer o quê? O povo é manipulável, e muitos líderes não têm coragem de combater esses que mercadejam a Palavra. Mas não se engane. Deus haverá de julgá-los, a menos que se arrependam.

ECUMENISMO

O alvo hoje em dia não é pregar a verdade como ela é, e sim unir forças pelo bem comum. A doutrina divide. Temos de nos unir. Por isso, a cada dia surgem igrejas para todos os gostos... Já existem até igrejas "evangélicas" lideradas por "pastores" que abdicaram do seu chamamento másculo! Sabe qual é o lema deles? "O Senhor é o meu Pastor e me aceita como eu sou". Que "ma-ra-vi-lha", não é mesmo?!

TEOLOGICENTRISMO

O negócio é não abrir mão das convicções teológicas, ainda que elas não tenham apoio da Palavra de Deus! Se Calvino falou, está falado! Ainda que as idéias de algum teólogo sejam contrárias à Palavra de Deus, não importa! Você não acha isso "ma-ra-vi-lho-so"? A Bíblia fica em segundo plano. O que vale é o que os nossos teólogos preferidos dizem!

FARISAÍSMO

Esta "maravilha" também deve estar bem cotada por aqueles que se dizem conservadores, mas são, na verdade, extremistas. Sabemos que ser conservador à luz da Palavra de Deus é correto (Ap 3.11; 2 Tm 1.13; 1 Tm 6.20), porém os pseudo-conservadores apreciam bastante a prática de "coar mosquitos" e "engolir camelos" (Mt 23.24).

ANTROPOCENTRISMO

Canções e falações — tidas como hinos e pregações — da moda colocam o ser humano no centro de todas as coisas. "Determine a sua vitória", "Você nasceu para ser um vencedor", "Profetize para você mesmo e diga isso e aquilo". Estas são algumas das frases preferidas do mundo "evangélico". Não tenho dúvidas de que o humanismo ou antropocentrismo é uma das "maravilhas" daqueles "servos de Deus" que vão aos cultos só para receber, receber, receber... O negócio hoje é buscar a "restituição", invadir o terreno do Inimigo e pegar de volta tudo o que ele roubou, além de quebrar maldições...

EXTRAVAGANCIA

Não há dúvidas de que os shows, com muita dança, diversão, gritos frenéticos, etc, façam parte desta lista de "maravilhas evangélicas". E junto com eles as "baladas" gospel, as festas jesuínas, etc. Mas, como nos dias dos profetas Isaías e Amós, Deus não recebe esse "som dos adoradores extravagantes" (Is 29.13; Am 5.23). John F. MacArthur Jr. disse, acertadamente: "As Escrituras dizem que os primeiros cristãos viraram o mundo de cabeça para baixo (At 17.6). Em nossa geração, o mundo está virando a igreja de cabeça para baixo" (Com Vergonha do Evangelho, Editora Fiel, p.52).

EXPERIENCIALISMO

Numa época em que super-pregadores visitam o "Céu" e falam diretamente com "Deus Pai", "Jesus", "Paulo", "Maria", anjos, etc, ninguém precisa mais ler um livro tão "desatualizado" como a Bíblia, não é? Hoje muitos seguem aos seus impulsos e recebem mensagens "proféticas" de galinhas ou ordem do "Espírito" para andar como um leãozinho, marcam a vinda de Jesus para um sábado de 2007, distribuem dentes de ouro, ministram a unção do riso e o "cair no Espírito"... Que "maravilha"!.
Alguém poderá perguntar: "Em que lugar ficou o evangelho cristocêntrico? E a santificação? E a renúncia? E o culto a Deus em verdadeira adoração, em espírito e em verdade? E os genuínos dons espirituais? E a Escola Bíblica Dominical? E os bons costumes? E a evangelização? E a oração? E o jejum? Será que, pelo menos, entraram na lista?" Bem, como se vê, as "maravilhas" citadas têm um poder de sedução muito maior sobre o mundo "evangélico", e as verdadeiras maravilhas tendem a ser esquecidas...

Mas eu pergunto: Diante dessa flagrante falta de interesse pela Palavra de Deus e da valorização do que não agrada ao Senhor, devemos ficar calados? Devem os servos de Deus, capazes de discernir entre o bem e o mal, ficar quietos? Não podemos julgar? Temos de ficar olhando a banda passar?

***

Extraído de:
ZIBORDI, Ciro. Mais erros que os pregadores devem evitar, CPAD. Via Púlpito Cristão.

25 de julho de 2009

"Japão - A Revelação": Parte 4 [Final]

O texto abaixo é a quarta parte de uma "revelação" maluca assinado pela "UPA - União de Pastores Amigos do Japão". Meus comentários sobre ele estão em vermelho, entre colchetes.

O link para o texto original está na
primeira parte.
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Contra atacando – Satanás tem muitos “truques” para tentar derrotar os filhos de Deus e impedir o avanço da obra do Senhor. Entretanto, maior é o que está em nós do que o está no mundo (I Jo 4:4). Deus tem-nos dado estratégias para destruir as obras do diabo [Não preciso repetir que Jesus já fez isso na cruz, não? Já comentei isso na Parte 3.], para neutralizar as armadilhas satânicas. Algumas das direções que tenho recebido do Pai são:

:: Realizar um jejum de 21 dias, durante o qual os pastores se dedicariam unicamente à oração [Calma, eles não vão morrer de fome.].
:: Conclamar um dia de clamor pelo Japão – que ainda vai sustentar missões no mundo [Vamos ter de gritar "Vai, Japão! Vai!" juntos e bem alto.].
:: Incentivar as igrejas da Coréia a jejuar e a orar pelo Japão, liberando o perdão para esta nação [O perdão está preso?! Que injustiça! Como a polícia é má!].
:: Fazer 72 horas de louvor e adoração, clamando pela misericórdia de Deus para o Japão, para destruir os “midianitas” [Hein?! Midianitas nos dias de hoje?! Aquela antiga tribo do noroeste da Arábia que é mencionada no Velho Testamento? Viajaram...]. Três dias durante os quais o povo de Deus estará intercedendo para que as fortalezas do mal sejam quebradas no Japão. No terceiro dia as forças do mal serão aniquiladas pelo Senhor dos Exércitos! [Sem comentários...]

:: Uma marcha de oração pela cidade, para que em todos os lugares sejam ministrados o poder e a bênção do Senhor; para que em toda a parte do país seja manifestada a glória de Deus. [Não é melhor orar em secreto? Ou o poder de Deus precisa de procissão para agir fora de casa? Sl 19.1; Jo 1.14...]

O mundo haverá de levantar um dia de oração pelo Japão, e não ficará pedra sobre pedra no reino de Satanás. [É mesmo?]

Por esforço

O Senhor é Homem de guerra, e nenhum de Seus propósitos pode ser frustrado. Entretanto, Ele escolheu contar com cada um de nós para a realização da Sua obra. Se não nos dispusermos como cooperadores do Senhor, atrasaremos a volta de Jesus e entristeceremos o coração do Pai [Ou seja, há duas opções: quando as nuvens se abrirem para a chegada do Filho do Homem diremos: 1. "Oxente, Jesus! Pode voltar que tá muito cedo, a gente ainda não terminou! Volta, volta, volta que não pode vir antes de terminarmos!" 2. "Eita, Jesus, demorou, hein? Rapaz, deixou a gente esperando aqui desse tanto! Mas, foi mal, quem atrasou você mesmo fomos nós."]. Temos de ser intrépidos e valentes como quer o nosso General. Ele vai à nossa frente, não temos o que temer. Não podemos nos acovardar, nos esconder em cavernas [!?], buscando interesses próprios. Quantas vezes deixamos de fazer algo que o Senhor nos orienta porque o aconchego do lar fala mais alto do que as ruas frias, cheias de demônios [Puxa! Os demônios estão desabrigados!]. “Claro!” Alguém pode pensar. “Qualquer um escolheria a primeira opção”. Eu concordo. ... . São os valentes de Deus, que não cuidam somente dos próprios interesses enquanto milhares de vidas estão sendo levadas cativas para o inferno.

[O pior de gente assim é que vivem a vida para Deus em função de demônios: doidos para saber as últimas notícias e estratégias do mal - são os 007 de plantão. É muita falta de foco e de conhecimento bíblico andar se ocupando de saber como os demônios se vestem, aonde eles vão, o que estão fazendo ultimamente, quando deveriam estar pregando o evangelho e cumprindo a Grande Comissão!

Deveriam se submeter a Deus e deixar tudo que não podem fazer em suas mãos, enquanto vão pregar e dar testemunho de Jesus. A Bíblia diz que se nos submetermos a Deus, o Diabo fugirá de nós, e que Jesus já destruiu as obras do Diabo - 1Pe 3.22; Tg 4.7; 1Jo 2.14, 3.8. Então, para que ficar correndo atrás dessas coisas quando podemos viver despreocupados sob a mão de Deus, o qual vive em nós?

Respondam-me: Quando Cristo viveu ou exerceu seu ministério em função de demônios? Leia o livro de Atos e veja: Qual foi a grande preocupação dos apóstolos e da igreja primitiva? Quantas vezes eles demonstram preocupação com a batalha espiritual a ponto de deixar de falar de Jesus para se ocupar em fazer tratados sobre o comportamento dos demônios?

Eu penso que nossa atitude em relação à palavra de Deus diz muito sobre os rumos que a igreja está tomando hoje em dia. O foco deixou de ser anunciar o Salvador e passou a ser: milagres, demonstrações de poder, culto a personalidades, batalha espiritual, sede de prosperidade em todos os aspectos da vida, busca por revelações e sensações místicas, concorrência de denominações por fiéis, propaganda denominacional, busca de influência política, anseio por ser aceitos pelo mundo ou isolacionismo, investimento em templos suntuosos e entretenimento eclesiástico, lucro de dízimos e ofertas... A igreja nunca esteve tão perto e tão longe do evangelho, como Judas Iscariotes. Mas quanto a isso a Bíblia já alertava, pois vivemos em tempo de apostasia - 2Tm 4.3-5. Espero que esta série tenha servido pelo menos para você refletir sobre como anda sua vida e sua fé e tomar uma atitude a respeito.]

11 de julho de 2009

"Japão - A Revelação": Parte 3

O texto abaixo é a terceira parte de uma "revelação" maluca assinado pela "UPA - União de Pastores Amigos do Japão". Meus comentários sobre ele estão em vermelho, entre colchetes.

O link para o texto original está na
primeira parte.

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Violência – ... A situação é tão terrível, que homens de idade avançada, os chamados Chikan [Em português: Chicão], estupram crianças e as matam de forma brutal. Muitos cortam as crianças em várias partes e as espalham em diferentes lugares. Demônios povoam a mente de homens que se tornam estupradores inveterados. ... Somente com Deus podemos mudar impedir que esses demônios continuem agindo com tanta voracidade. [Solução: Orar por uma polícia angelical preventiva que mande os "demônios do crime" para o inferno antes que eles residam na cabeça dos homens, que são bons, puros e inocentes, e os transformem em criminosos. Dessa forma, acabaremos com os crimes, com os presídios e empregaremos o dinheiro economizado nas igrejas, para embelezação dos templos.]

Sofismas – Satanás vale-se de argumentos aparentemente válidos para enganar as pessoas e levá-las a enganos cada vez maiores, afastando-as de Deus sem que percebam [Interessante, mas por que muitos crentes estão fazendo o mesmo?]. Demônios agem incansavelmente com essa arma para atrapalhar o trabalho da Igreja. E isso acontece principalmente no Japão ["Principalmente no Japão" - o resto do mundo está mais seguro.], cauterizando a mente das pessoas, que por se considerarem muito inteligentes nem percebem o espírito do sofisma e ficam cada vez mais distantes de Deus [Com certeza o "espírito de sofisma" deve ter cara de Windows Vista com área de trabalho animada, cartola e coelhinho e olhinhos de Mangá]. Muitas vezes, a própria Palavra de Deus é usada de maneira deturpada para enganar e até mesmo explorar as pessoas. Foi assim no jardim do Éden. Apenas um “não” acrescentado à palavra que Deus dera a Adão e Eva foi o suficiente para fazê-los pecar, para destruir o relacionamento deles com Deus e gerar o pecado em toda a humanidade. É assim que o diabo faz. Com Sofismas, faz as pessoas se sentirem intelectuais, espirituais e as enganam, levando-as para a morte, para o afastamento eterno de Deus.

Ferramentas do inferno – Deus tem-me revelado situações terríveis [Deus!?]... para que, uma vez compartilhado com a Igreja, estejamos na brecha, como fiéis intercessores, guerreiros valentes que não têm do que temer. Por isso eu não posso mais me calar, [Pode, se for para falar bobagens... A Bíblia já nos falou a verdade que precisamos saber sobre batalha espiritual. Não precisamos de paranóias de gente que vê o Diabo em toda parte para saber nosso papel de cristãos.] tenho de fazer o Senhor me orienta, para que a Igreja acorde e desempenhe o papel que lhe cabe e não seja achada como “servo infiel” [Servos fiéis ou não são indivíduos.] ... . Somos convocados para pregar o Evangelho a toda a criatura e, na autoridade do nome de Jesus, destruir os poderes das trevas [1 Jo 3:8; Jo 12:31. Choveremos no molhado? Está consumado desde a cruz.].

Dos mais conhecidos aos que nunca tínhamos ouvido falar, os demônios não podem nos deter [E precisamos conhecer os demônios com nome, endereço, retrato-falado, celular e CEP?], porque as portas do inferno não prevalecem contra a Igreja de Jesus (Mt 16:18). Foi essa certeza que eu tive quando vi um demônio de 1,90 m de altura, que tinha aproximadamente 1 m de largura e um pescoço que lembrava o de um lutador de boxe [Ele era louro, forte e tinha olhos azuis também? Não, porque, se for, parece que é o tipo que aparece no IRC querendo enrolar as minas.]. Esse demônio subia do inferno puxando uma enorme e grossa corrente, como aquelas usadas em navios. Atreladas a essa corrente estavam caixas de ferramentas [É... forte, profissional e trabalhador...]. A revelação que recebi de Deus é que essas caixas de ferramentas eram os artifícios, as armadilhas que seriam usadas para destruir a Igreja [As caixas ACME do coiote do papa-léguas. Eu sabia!]. Portanto, se você está passando dias terríveis, busque forças no Senhor para perseverar na fé. Com certeza Deus prevalecerá. Nossas forças precisam ser renovadas a cada amanhecer, porque estamos vivendo dias maus.

Deus me fez ver um demônio destinado por Satanás para embaraçar os dias dos filhos de Deus [Aposto que ele apaga os sábados e feriados só para irritar a gente!]. Esse demônio tem dezenas de relógios dependurados por todo o corpo. A função desse demônio é atrasar a vida das pessoas para que não consigam gerenciar o seu tempo [Seria mais inteligente e eficiente se ele mexesse nos relógios dos outros, não?]. No final do dia estão cansadas, totalmente esgotadas, sem que tenham produzido nada de verdadeiramente concreto [Deve ser o demônio da pia da cozinha: já reparou que sempre tem coisa suja para lavar na pia e cansar a gente? Que caba ruim!].

3 de julho de 2009

PHD em satanismo [Com reflexão - Como virar pastor instantâneo]



Conheçam o pastor Leno Porto (os erros gramaticais foram mantidos):

"Pastor Evangelico. Ex-Bruxo, Fui considerado o Terceiro Maior Bruxo do Brasil e do mundo Mundo. fui Centurião, Morei no Cemitério durante 10 anos, comia carne de defunto, insetos e carne podre de animais. bebia sangue humano e de animais. tenho o ship do diabo no meu corpo e tenho também a marca 666 em minha perna. fui casado com a macaca a 2 anos, com uma cachorra e tambem com uma mendiga que não tomava banho a 10 anos. Fui bruxo de varios artistas, atrizes, atores, politicos, marcas famosas, empresas e empresarios. Fui chefe satanista. Fui cabeça dos livros: templo de satá, salamanda, império dos bruxos e fui um aprendizado do livro são simpriano. Fui tambem um dos fundadores da igreja de satanas no Rio de Janeiro e outras muitas coisas malignas e diabolicas. Mais hoje eu sou um homem liberto pelo poder do Senhor Jesus, ungido pelo Espirito Santo e pregador do Evangelho. Sou obreiro da Igreja Pentecostal Deus é Amor".

E ele ainda afirma que seu testemunho "completo" dura 13 horas. Quem quiser saber mais sobre o pastor com PHD em satanismo, pode acessar o seu perfil no Orkut.

Por: Eli Soares, Blog:
Mateus 23



Reflexão - Como virar pastor instantâneo

É incontável a quantidade de indivíduos com testemunhos mirabolantes que se encontra no nosso meio graças à ingenuidade e ignorância do povo de Deus. Estamos sempre prontos a acolher pseudopastores que, em troca de fama e dinheiro fáceis, exploram a fé de pessoas incautas.

Se você reparar, hoje em dia qualquer "seboso" vira "pastor" (e geralmente não é nem pastor de igreja, é "conferencista", pastor que não cuida de rebanho mas de si próprio). A palavra pastor nunca esteve tão descaracterizada e desacreditada como está hoje.

Para ser pastor do dia para a noite basta:

1) inventar
um testemunho sensacionalista que crie uma espécie de "etiqueta" para o cara, como "o homem de Deus do galinheiro", "o profeta que era pistoleiro", "o ex-padre drag-queen" e por aí vai;

2) criar bordões e frases de efeito lançadas como metralhadoras na platéia babona para não ser esquecido e distorcer o significado dos textos bíblicos decorados para acalentar o ego da multidão dizendo o que ela quer ouvir;

3) conseguir o apoio de pastores tão mercenários quanto ele ou tão estúpidos quanto o rebanho.


4) um programa de rádio ou TV é opcional e, dependendo dos fatores, caro; mas fatalmente a mídia dá uma turbinada no negócio - então, para mercenários principiantes, recomenda-se o YouTube, um blog grátis e o Orkut para divulgação, além de cartazes coloridos com abundância de erros de português, para que o público alvo possa entendê-lo sem subestimá-lo;

5) um título de doutor ou de apóstolo comprado também incrementa - gente burra tem orgasmos múltiplos com títulos de importância, ainda que falsos, e mesmo que o portador não tenha competência linguística e bagagem de conhecimento que corresponda (gente burra não vê a diferença desde que você tenha a atitude "never stop the music" e faça muita zoada)...

Não tem limites a criatividade para histórias de vidas pregressas toscas. Não adianta achar que já viu tudo porque pastor ruim é igual a telefone móvel: quando você pensa que viu de tudo, aparecem mais modernos para que você possa ser assaltado. Ou seja, a impiedade e ambição são mais frenéticas que a tecnologia.

O "testemunho" acima é tão cheio de fantasias absurdas que dispensa qualquer comentário. Eu poderia fazer muitas piadas com o relato, mas só quero dizer que os crentes que crêem em coisas do nível são a prova cabal da constante estupidez no meio do povo de Deus, que de rebanho de ovelhas está virando uma junta de mulas. E isso está longe, muito longe de acabar.

"O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos." - Oséias 4.6

"Os sacerdotes não disseram: Onde está o SENHOR? E os que tratavam da lei não me conheciam, e os pastores prevaricavam contra mim, e os profetas profetizavam por Baal, e andaram após o que é de nenhum proveito. ... Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, ainda que não fossem deuses? Todavia o meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito. ... Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas." - Jeremias 2. 8, 11, 13

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