14 de novembro de 2009

Milhões de portas de geladeira cobertas de razão

“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” - Salmo 23.1

Este talvez seja o versículo mais conhecido de toda a Bíblia. Certamente você já deve tê-lo pregado na porta de sua geladeira, na capa de seu caderno, no vidro ou no painel de seu carro. Mas, será que ele faz algum sentido real pra você?



O salmista, nesse belo poema de louvor que inspira milhões de vidas há séculos, demonstra um conhecimento maravilhoso e profundo da pessoa de Deus. E expressa a vivência, como ninguém, do amor, da direção e do cuidado de um Pai que está sempre presente na vida de seu filho – não digo “povo”, mas “filho”: pessoa, não multidão.


É esse conhecimento, tão estreito e mútuo, essa ligação de amor paterno, divino, simbolizado pelo cuidado de um pastor por seu pequeno e indefeso cordeiro, figura bem presente na vida do ex-pastor de ovelhas e ora rei de Israel, que faz com que esse salmo seja tão querido e presente na vida das pessoas que amam e são amadas por Deus.


O Senhor é o MEU pastor. E ele se revelou de muitas formas, sendo a maior e mais perfeita delas em Jesus de Nazaré, o simples carpinteiro que revelou ser o “bom” pastor de suas ovelhas, o Eu Sou, o Deus de Israel.



Ter Jesus como pastor e amigo é algo que sobrepassa a religião. Não é uma filosofia ou uma doutrina, não é uma ideia ou conceito, é um relacionamento, uma vida. Você já pensou nisto? Como pastor, Jesus conhece e ama cada uma de suas “ovelhas”, ele conhece seu nome, seu passado e seus amores, seus sonhos, seus temores e os mais profundos segredos de seu coração. Ele não lhe vê como gado, multidão, massa, produto, cifra, número ou referência de estoque. Ele tem você, e você o tem. E um está sempre no outro: você em Jesus e Jesus em você. Eternamente. Inseparavelmente. Nada pode nos separar do amor dele ou nos tirar de suas mãos. Fantástico, não é?



Isso para quem tem ideia do que é pertencer a Jesus, o qual se compadece das nossas fraquezas e nos dá forças, que está conosco nos nossos problemas e tragédias mesmo quando não o enxergamos, que se entristece com nossos fracassos e dissabores. Ele é o meu Pastor. Estou certo disso. E mesmo que os meus sentimentos não digam isso e que a melancolia me inunde, mesmo que a dor seja forte, que tudo dê errado, que não veja luz no fim do túnel, que a esperança pareça falhar, mesmo que eu ache que eu estraguei tudo e que não tenha um tostão furado no bolso... Eu posso ter a certeza de que ele está comigo e de que seu amor e cuidado por mim não falham.



Fiquei muito triste ao ver uma cena de um vídeo feito durante a Marcha para Jesus que foi veiculado na internet. Nele várias pessoas “evangélicas” se mostraram extremamente ofendidas pela manifestação de alguns irmãos, que protestavam contra a falta de ética de algumas igrejas que promovem a Teologia da Prosperidade, deixando de lado o evangelho e visando obter lucros, abusando da fé dos adeptos. Os irmãos condenavam a ideologia, a situação, não uma entidade ou grupo específico, e, por isso, não citaram nomes.



Não havia como negar a verdade da contestação desses poucos manifestantes divergentes, porém pacíficos, contra a extorsão religiosa da espúria “Teologia”. Entretanto, em defesa do indefensável, alguns “evangélicos” esqueceram que são “evangélicos” e reagiram com ataques físicos (jogando objetos) e dirigindo impropérios e vaias contra a discordância respeitosa e salutar dos irmãos.



O que isso tem a ver com o início do texto? Simples: alguns manifestantes, diante da confrontação pacífica à sua Teologia da Prosperidade, tentando defender a torpe doutrina de Mammom, demonstraram sua fidelidade, compromisso e apego incondicional a denominações e líderes, em detrimento da palavra de Deus. Alguns destes líderes, por sua vez, são pessoas que apostataram da fé, comprometeram-se com lucros e falsas promessas de bênçãos financeiras, deixando de lado a pregação da mensagem do novo nascimento pelo arrependimento, fé e mudança de vida trazidos por Jesus Cristo. Ambos só têm deixado bem claro que seu pastor não é Jesus, mas o dinheiro, a instituição, líderes pecadores que nem sabem que eles existem. Que senhorio infeliz e medíocre!



Mas onde está Jesus, o bom pastor, nessa história? No coração dos manifestantes e de muitas pessoas que estavam ali. Jesus estava com eles. Não posso afirmar que o vi na reação indignada das pessoas que defendem criminosos que já foram penalizados por crimes que envolvem dinheiro e mentiras, e que, fazendo-se de vítimas, demonstram não haver-se arrependido dos seus pecados, principalmente quando estão ocupando um posto onde o exemplo de santidade, verdade e modéstia deveria ser o cartão de visita. Não posso dizer que vi Jesus na reação de pessoas que, diante da escolha entre a verdade e a passageira fábula institucional, preferem agir como escravos desta, deixando de lado todos os princípios cristãos por uma aparência de cristianismo que é puramente o fanatismo típico de torcida organizada de time de futebol, uma fé desperdiçada que com o tempo pagará seu falido investimento.



Como disse alguém, “o dinheiro é um servo rico, mas um senhor miserável”. Por isso reafirmo, juntamente com os cristãos, os protestantes e as portas de geladeiras de todo o Brasil: “O Senhor é o MEU pastor”.

2 comentários:

Lorena disse...

Simplesmente:
Fantástico.

Deus abençoe.

Avelar Jr. disse...

Que bom que você gostou, Lorena!

Obrigado pelo comentário.

Fique com Deus!

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