"As Escrituras afirmam que os primeiros cristãos viraram o mundo de cabeça para baixo (Atos 17.6). Em nossa geração, o mundo está virando a igreja de cabeça para baixo." -- John MacArthur ("Com vergonha do Evangelho", Ed. Fiel)
11 de junho de 2011
4 de junho de 2011
Dos sonsos, brincalhões, mais-que-perfeitos, esquecidos e do tubinho de corretivo
"Não me arrependo de nada." -- respondeu certa celebridade, em entrevista a um programa de TV sensacionalista, ao ser perguntada se acaso se arrependia de algo em sua vida. Talvez eu não tivesse me importado tanto se a entrevistada não apregoasse ser "evangélica" e não tivesse uma vida artística indecente e cercada por polêmicas desde antes de sua "conversão". A inquietação que surgiu na hora me trouxe várias perguntas:
- Que mensagem alguém assim estaria transmitindo?
- Que imagem do evangelho um indivíduo não evangélico teria ao ver esta entrevista?
- O que levaria uma pessoa que se diz "evangélica" a afirmar que não se arrepende de nada em sua vida?
- Será que tal pessoa realmente entendeu as boas-novas (que devemos nos arrepender de nossos pecados e crer em Jesus Cristo para sermos perdoados por Deus - Atos 3.19; 4.12) e teve um encontro real com Jesus?
- Saberia ela o que é ser amada, perdoada e recebida de braços abertos por um Deus justo, santo e perfeito?
- Conheceria o significado da palavra graça (favor de Deus)?
Na certa, ninguém afirmaria "eu sou perfeito" ou "eu nunca erro"... seria absurdo. Mas se dizemos que não pecamos e que não temos de que nos arrepender, fazemos de nós mesmos mentirosos e incoerentes (1 João 1.6-8), pois é como se disséssemos que estamos em pé de igualdade com Deus em sua perfeição e santidade e que nada devemos a Ele.
Ao falarmos de conduta cristã, não devemos tomar como padrão a opinião pública ou o politicamente correto, mas a palavra de Deus. E esta nos diz que todos falhamos e fomos reprovados aos olhos de Deus, e que somos desesperadamente carentes da redenção e do perdão divinos, que se encontram somente por meio de Jesus Cristo (Romanos 3.10,12,23-24). Creio que seria fácil condenarmos imediatamente alguém que segue um estilo de vida indecente, pecaminoso e cheio de vicios, pois facilmente nos veríamos como pessoas não tão ruins apenas por não comungarmos especificamente dos mesmos erros. Mas Jesus não pensa da mesma forma: o resumo de sua mensagem a todos é: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho" (Marcos 1.15; veja também Lucas 13.1-3). Porque todos pecamos, e apenas um pecado é suficiente para condenar-nos diante de Deus (Romanos 3.10, Tiago 2.10).
Assim, para chegarmos a Ele e obtermos seu perdão, devemos deixar nossos pecados. E, se deixamos nossos pecados um dia, crendo que eles foram pagos por Jesus, e que, agora, libertos deste peso, somos livres para vivermos para Deus, por que diríamos depois que não nos arrependemos de nada? Bizarro!
Nosso orgulho muitas vezes faz com que, mesmo tendo sido regenerados, em alguns momentos de nossa existência, façamos pouco caso de nossos pecados, como se eles não tivessem importância. Mas foi precisamente por causa deles que Jesus derramou sua vida na cruz, tornando-se o sacrifício perfeito que pagou a pena que merecíamos por cometê-los (Romanos 5.6-8).
O pecado habitual nos torna insensíveis e leva a uma certa "amnésia" em relação ao primeiro amor entre nós e Deus. Precisamos estar atentos para isso, a fim de evitarmos que Ele tenha que chamar nossa atenção de forma mais enérgica. Porque Deus castiga aos filhos que ama, e tudo fará a fim de que possamos andar em comunhão e santificação junto de Si (Apocalipse 2.5).
Jesus ordena urgentemente que nos arrependamos. E não podemos nos valer de pretextos e nem nos deixar iludir por quem transmite um evangelho diferente, seja com suas palavras ou com seu exemplo (Gálatas 1.8-9). Como podemos menosprezar o arrependimento, nós que passamos por ele quando conhecemos o amor do Mestre outrora? Como podemos negar nossa fé assim? Não importa o que digam por aí, a Bíblia é muito clara em afirmar que sem santidade ninguém verá a Deus, e santidade não pode haver onde o pecado se torna constante e subestimado (Hebreus 12:14).
Uma vez brinquei com uma colega de trabalho, a qual me perguntou se eu tinha um tubinho de corretivo para emprestá-la, porque ela tinha errado escrevendo de caneta. Eu lhe respondi: "Não, não tenho. Corretivo é para quem erra." -- Brinquei, claro. E nós rimos muito. Mas tem gente por aí que fala isso sério!
24 de maio de 2011
A Bíblia em Mangá - O Novo Testamento. Resenha.
Traduzida do inglês, "The Manga Bible", foi lançada no Brasil em dois volumes. Dias atrás, publiquei uma resenha sobre "A Bíblia em Mangá* - O Velho Testamento". Agora, como prometido, comento o volume do Novo Testamento.
Esta segunda parte de "A Bíblia em Mangá" mostra, resumidamente e em quadrinhos, a história de Jesus (desde o seu nascimento até a sua morte e ressurreição), o início da igreja cristã, a vida dos apóstolos e o Apocalipse.
Destaco as parábolas de Jesus, que vão aparecendo ao longo da narrativa de sua vida. Você verá uma releitura moderna de algumas delas, como o bom samaritano, o filho pródigo e os maus lavradores - com um traço leve e um pouco caricato.
A vida do apóstolo Paulo se entremescla com a narrativa de suas cartas às igrejas. E os autores fizeram um bom trabalho para situar alguns eventos no tempo e no espaço por meio da inserção de personagens que não aparecem no livro de Atos dos Apóstolos, como Onésimo (mencionado na Bíblia, na epístola de Paulo a Filemon) e de um mapa.
Como no volume do Velho Testemento, os quadrinhos não trarão todos os livros do Novo. Por ser uma condensação do texto, a vida de Jesus e a dos apóstolos são contadas em duas seções, abrangendo apenas o essencial em poucas páginas. E o livreto traz alguns bônus, como uma conversa com os autores e rascunhos.
![]() |
| Clique na imagem para ampliá-la |
O estilo do desenho neste volume pareceu-me mais legal que no anterior. Em especial, o Apocalipse. Os evangelistas lembram mais super-heróis, e são bastante estilosos! A história passa rápido, e, caso você queira compará-la com a Bíblia, os autores incluíram as referências desta no canto das páginas, para ajudá-lo. Isso é particularmente interessante quando se vê Paulo ditando trechos das suas epístolas.
Não posso, entretanto, deixar de tecer algumas críticas. Apesar de não haver problemas teológicos ou doutrinários, ressalto que, com relação à versão bíblica base adotada, o livro menciona que utiliza a “Nova Versão Internacional para o Dia de Hoje”, edição de 2004, que não existe em português, mas apenas em inglês (Today’s New International Version” da Sociedade Bíblica Internacional). Trocando em miúdos, não foi usada versão alguma, mesmo havendo indicação.
E isto facilmente se evidencia pelos excessivos erros de conjugação de "vós" e "tu", ou de ortografia, como quando Jesus foi ao "tempo", ao invés de ir ao "templo". Há um trecho em que Jesus comete três erros de português numa só fala! Lembrei-me imediatamente de Seu Creysson, com "équio" e tudo! Esta foi realmente a parte que me desapontou demais.
Uma coisa que soou estranho foi o uso do termo "trabalho" ao invés do tradicional "obra" da Bíblia ("obra" refere-se ao cumprimento dos mandamentos da lei de Deus e a alguma coisa boa que praticamos. Segundo a Bíblia, não podemos ser salvos pelas nossas "obras", mas somente pela fé em Jesus Cristo; apenas Ele pode perdoar nossos pecados, porque sua morte pagou a pena que merecíamos por ter pecado).
Está escrito assim no mangá: "Se Abraão foi justificado pelo trabalho..." Isto seria facilmente associado com o texto bíblico se o tradutor tivesse recorrido a uma Bíblia e posto "por obras" no lugar de "pelo trabalho". No inglês cola, é o normal, mas em português fica exótico. Na verdade, alguns trechos traduzidos ficaram difíceis de ser apropriadamente entendidos por quem não conhece o texto da Bíblia ou um pouquinho de como o evangelho funciona, trazendo uma certa confusão (na página de onde tirei esse exemplo principalmente!).
Seria necessário revisar todo o texto valendo-se de uma versão bíblica em linguagem moderna para uma segunda edição (como a Nova Versão Internacional, da Sociedade Bíblica Internacional, ou a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil), levando em conta que a obra é uma adaptação da Bíblia para quadrinhos, e que, por isso mesmo, deve ser cercada de grande cuidado e de uma linguagem acessível a jovens leitores.
Eu fiquei decepcionado com as falhas da publicação, entretanto, recomendo a leitura a todos aqueles que sejam seguros bíblica e, sobretudo, linguisticamente.
E isto facilmente se evidencia pelos excessivos erros de conjugação de "vós" e "tu", ou de ortografia, como quando Jesus foi ao "tempo", ao invés de ir ao "templo". Há um trecho em que Jesus comete três erros de português numa só fala! Lembrei-me imediatamente de Seu Creysson, com "équio" e tudo! Esta foi realmente a parte que me desapontou demais.
Uma coisa que soou estranho foi o uso do termo "trabalho" ao invés do tradicional "obra" da Bíblia ("obra" refere-se ao cumprimento dos mandamentos da lei de Deus e a alguma coisa boa que praticamos. Segundo a Bíblia, não podemos ser salvos pelas nossas "obras", mas somente pela fé em Jesus Cristo; apenas Ele pode perdoar nossos pecados, porque sua morte pagou a pena que merecíamos por ter pecado).
![]() |
| Clique na imagem para ampliá-la |
Seria necessário revisar todo o texto valendo-se de uma versão bíblica em linguagem moderna para uma segunda edição (como a Nova Versão Internacional, da Sociedade Bíblica Internacional, ou a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil), levando em conta que a obra é uma adaptação da Bíblia para quadrinhos, e que, por isso mesmo, deve ser cercada de grande cuidado e de uma linguagem acessível a jovens leitores.
Eu fiquei decepcionado com as falhas da publicação, entretanto, recomendo a leitura a todos aqueles que sejam seguros bíblica e, sobretudo, linguisticamente.
Da mesma forma que na primeira resenha, estou enviando por e-mail uma cópia desta à editora, para que futuras edições possam vir aperfeiçoadas.
____
* Mangá -- estilo oriental de histórias em quadrinhos, em que os personagens têm olhos grandes e expressivos, cabelos estilosos e aparecem em histórias de vários tipos, como dramáticas, de ação, policiais, fantásticas...)
____
* Mangá -- estilo oriental de histórias em quadrinhos, em que os personagens têm olhos grandes e expressivos, cabelos estilosos e aparecem em histórias de vários tipos, como dramáticas, de ação, policiais, fantásticas...)
Dados gerais da obra:
A Bíblia em Mangá – O Novo Testamento
Editora: JBC
Autor: AJINBAYO AKINSIKU & AKIN AKINSIKU
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 96
Acabamento: Brochura
18 de maio de 2011
A Bíblia em Mangá – O Velho Testamento. Resenha.
Há muito tempo eu havia visto uma matéria sobre o lançamento de "The Manga* Bible" (A Bíblia em Mangá). Lembro-me de que dei uma olhada em algumas páginas disponíveis na Amazon.com e achei a ideia muito legal. Eu torcia para que ela fosse traduzida para o português. Por não ter olhado os dados da publicação, eu pensava ser uma Bíblia de verdade, mas com algumas passagens ilustradas em estilo mangá em determinadas páginas.
Tratava-se, porém, de uma HQ mesmo. Achei melhor ainda, por constituir uma obra mais independente, que pode ser avaliada sozinha e por seus próprios méritos, e capaz de tornar a Bíblia um livro mais acessível ao público não-religioso e fã de quadrinhos.
Enfim, esses dias eu estava navegando pela sessão de HQs de uma grande loja virtual, e qual não foi minha surpresa de encontrar a Bíblia em Mangá em português! Fiquei muito contente. Mas lamentei a falta de uma resenha mais detalhada que tirasse minhas dúvidas sobre o produto, ou mesmo umas páginas para ler. Comprei os dois volumes e decidi fazer minha própria avaliação, já que em vários sites ninguém fez.
A primeira crítica que eu tenho é por terem lançado a “Bíblia em Mangá” em 2 volumes, ao contrário da versão em inglês, de volume único. No caso brasileiro, deveria-se chamar “Velho” ou “Novo Testamento em Mangá”, por não ser a “Bíblia” completa.
Ontem li o mangá do Velho Testemento. E minha análise específica do volume segue abaixo.
A história é bem adaptada, resumida e bem contada, alternando algumas histórias paralelas ao longo da principal. Por exemplo: a criação, a vida dos patriarcas e a saída do Egito são postas como Moisés narrando esses relatos às crianças no deserto, como se ele fosse um professor de EBD ensinando isto durante o Êxodo. Achei uma bela sacada dos autores. E, lá na frente, o fluxo da história principal é suspenso para contar sobre Jó e Rute.
Teologicamente, não vi problema algum – recomendadíssima.
Tem todos os livros da Bíblia resumidos? Não. Seria demais querer isto num volume fininho e em menos de 150 páginas (reparem que o livro tem pouco mais de 150). Além da narrativa, há extras como biografias dos autores e entrevistas com eles, o que é interessante para o leitor e amante de mangás.
Ah, mas tem os livros de Tobias, Judite e Macabeus? Não, não tem. A história leva em conta o cânon de 39 livros, adotado pelos judeus e pelas igrejas protestantes, e pela própria Igreja Católica Romana antes da Contra-Reforma. Como dito acima, a história é resumida e não contempla todos os livros, apenas o essencial da história. Tchau, Ester!
O traço do autor é veloz, energético e, por vezes, caricato ou sensível, dependendo da gravidade ou leveza do relato. E a história é apresentada de forma dinâmica. Além do mais, são incluídas referências para o caso de você sentir curiosidade de acompanhar a história na Bíblia – muito bom!
Como ninguém é perfeito, aqui vão as falhas: com relação à versão bíblica base adotada... Embora os dados bibliográficos do livro mencionem a “Nova Versão Internacional para o Dia de Hoje”, edição de 2004, esta versão simplesmente não existe em português! Os dados do livro em inglês referem-se mesmo à “Today’s New International Version” da Sociedade Bíblica Internacional, mas não existe equivalente em português. Ou seja, traduziram os dados bibliográficos tais e quais, mas não tiveram o cuidado de utilizarem-se de uma versão corrente em português, que, no caso, obviamente, apontaria para a NVI.
O que fica claro é que não devem ter usado versão alguma, mesmo constando lá que sim, a julgar pelos muitos erros de concordância que o texto apresenta e pelos enfadonhos “vós” e “tus”, que aparecem constantemente com conjugações erradas, os quais, raramente, aparecem numa NVI. Isto revela falta de cuidado com a revisão de uma obra tão importante.
Eu sou intolerante com erros de português, mas o texto tinha tantos lapsos de concordância que eu cansava de ler. Às vezes eu queria encostar o livro num canto para respirar e contar até 10. Errar é humano, mas santa paciência!
![]() |
| Trecho da história de Moisés. Clique para ampliar. |
Outros lapsos compreendem a confusão com alguns nomes e traduções. A cidade de “Midiã” é chamada de “Mídia”, e o pior que às vezes isso está até em negrito. Mas no mapa está correto. Isso gera certa discrepância entre o mapa e a fala de Moisés. Além disso, o mapa da página 146 tem uma frase não traduzida: “Ezra and Hehemiah’s returning exiles” (“A viagem de retorno de Esdras e Neemias”, em tradução livre).
Bom, críticas à parte, eu gostei da iniciativa de traduzirem "The Mangá Bible" para o português, como já disse. Recomendo-a a todos aqueles que gostam de HQs e da Bíblia. E para este volume eu dou uma nota 8. Os desenhos são muito legais, inclusive os mapas. Eu fiquei até pensando... E se saísse uma versão de “A Bíblia em Mangá” completa (como na versão em inglês), ampliada, com as devidas correções, colorida e em papel e encadernação de luxo? Ficaria mais-que-perfeita. (Só faltaria sonhar com a Bíblia em anime. E se esta já existir, e alguém souber, por favor me conte!)
Estou sendo honesto na minha apreciação, e enviando, por e-mail, uma cópia dela aos responsáveis. Pois creio que toda editora deseja melhorar suas publicações visando, também, à satisfação do leitor. Em breve publicarei a resenha referente ao volume do Novo Testamento.
____
* Mangá -- estilo oriental de histórias em quadrinhos, em que os personagens têm olhos grandes e expressivos, cabelos estilosos e aparecem em histórias de vários tipos, como dramáticas, de ação, policiais, fantásticas...)
____
* Mangá -- estilo oriental de histórias em quadrinhos, em que os personagens têm olhos grandes e expressivos, cabelos estilosos e aparecem em histórias de vários tipos, como dramáticas, de ação, policiais, fantásticas...)
Dados gerais da obra:
A Bíblia em Mangá – O Velho Testamento
Editora: JBC
Autor: AJINBAYO AKINSIKU & AKIN AKINSIKU
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 168
Acabamento: Brochura
Assinar:
Postagens (Atom)





